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30 de mai. de 2014

Godzilla - O Retorno do Rei

De volta! Esse deve ter sido o meu record de tempo longe do blog, mais uma vez renovei meu fôlego, e não apenas isso, eu tive o privilégio de presenciar um filme do Big G. nos cinemas e com os melhores efeitos especiais possíveis, existe motivo maior pra eu voltar a postar?

Eu vi o filme no dia 17, um dia depois de estréia, então acho que devo desculpas por não ter feito isso mais cedo.

Antes de mais nada, vou avisar que a postagem inteira estará cheia de spoilers, então se ainda pretende ver o filme recomendo que espere e leia só depois.

Gareth Edwards é o diretor deste filme, sabe o que mais ele dirigiu? Monsters, sabe o que isso significa? Não? Eu também não sei, não acho o filme em lugar nenhum pra ver, MÁÁÁS eu soube que é um filme muito bem feito, que por conta do baixo orçamento teve pouca participação dos monstros em questão, no entanto contou com uma ótima historia de humanos, e isso tem quase tudo em comum com Godzilla, menos a parte da ótima historia com humanos.

Ok, vamos lá, o filme tecnicamente é sobre animais matusaléns se digladiando enquanto percorrem o globo e vão parar por fim nos EUA, até aí tudo bem, é o que esperamos de um filme com o nome Godzilla, porém, mesmo eu já ressaltando antecipadamente que gostei muito do filme, sinto informar que a historia gira quase que inteiramente no drama humano, e isso não seria um problema pra mim se essa fosse a única parte falha do filme.
Eu já fiz uma postagem aqui sobre Kick Ass, e não sei se em algum momento disse que gostei da atuação do Aaron Taylor-Johnson como protagonista, porque eu gostei, mas vejam bem, uma coisa é o cara interpretar Dave Lizewski que é um personagem adolescente nerd e com cara de paisagem, outra coisa é ele interpretar um militar que acabou de perder o pai e tem três monstros gigantes indo em direção a cidade onde mora sua família e encarar isso com a mesma cara de paisagem. A atuação de Aaron Taylor não chega a ser ruim na minha opinião, mas a falta de expressão do rapaz deixa tudo muito maçante, você simplesmente não espera que ele mude de expressão o filme todo, e de alguma forma o roteirista decidiu que as câmeras deveriam ficar sobre ele por 87% da trama.

Ah sim, mas temos também o personagem do Bryan Cranston, ele protagoniza os primeiros minutos do filme, e eu devo dizer que eles são espetaculares, porém são apenas os primeiros minutos já que ele morre e então só nos resta o Aaron Taylor, aliais, mesmo aparecendo tanto, eu não consegui memorizar o nome do personagem dele, não senti a menor vontade de prestar atenção nesse detalhe, e sim, infelizmente até nos melhores momentos eles deram um jeito de costurá-lo para que fique evidente que os monstros são parte do plano de fundo.

Vamos desviar nossa atenção agora para as criaturas gigantescas e consequentemente nos focar no que o filme tem de melhor.

Existe uma inversão de papéis neste filme na parte dos monstros, eu vou tentar deixar o mais bem explicado possível.
O grande vilão que se alimenta de energia nuclear e tenta a todo custo sobrepujar a raça humana para voltar a reinar na terra é o M.U.T.O (Massive Unidentified Terrestrial Organism / Organismo Terrestre Massivo Não Identificado), exatamente um macho e uma fêmea prontos para construir um ninho e repovoar a superfície, as criaturas tem um design maravilhoso e são assustadoras, ainda mais quando você imagina o que elas podem fazer com o nosso mundo.
O Godzilla por sua vez é quase uma lenda entre americanos e japoneses, o monstro foi visto pela última vez em 1954 (homenagem ao lançamento do filme original de 54), e as bombas de Hiroshima e Nagasaki nada mais foram do que uma tentativa de destruí-lo na época em que ele veio para a superfície pela primeira vez, o paradeiro da criatura agora é desconhecido, mas o professor Serizawa (outra homenagem ao clássico) acredita que o grande monstro virá para restabelecer a ordem no planeta, destruindo os dois Mutos.

E sim, Godzilla é o herói neste filme, não um anti-herói, mas um herói mesmo, o monstro está claramente do lado dos humanos e evita até mesmo em certos momentos causar tanta destruição quanto seus dois inimigos mortais, eu esperava que ele fosse indiferente com os humanos como o Godzilla da década de passada e é um pouco dificil ver o Big G. sendo tão pacífico e tolerante a mísseis e disparos de tanques.
O Visual de Godzilla está perfeito, ele é um animal em todos os aspectos, não sobrou resquício de movimentos humanos nele e ainda sim a criatura se move de uma forma muito familiar, é impressionante a sensação de peso e altura que conseguiram transmitir.

Tirando o lado tolerante, Godzilla não deixa nada a desejar, nós temos a aparência, o rugido, a bravura e... meu deus.... ele até mesmo pode disparar um bafo atômico, definitivamente a cena mais marcante de todo o filme, quando sua cauda começa a acender e as placas dorsais vão intensificando o brilho até que ele vomita um jorro de chamas azuladas contra o Muto fêmea (que é quase do tamanho dele e umas sete vezes maior que o macho).



A historia envolvendo humanos tem seus altos e baixos, o personagem do Ken Watanabe (Dr. Serizawa) é destacado mas não chega a fazer absolutamente nada de importante além de dar palpites sobre o comportamento das criaturas, no entanto existe uma cena muito forte com ele onde com poucas falas ele deixa uma crítica evidente sobre o uso da energia atômica como arma de destruição em massa.
As autoridades são impressionantemente burras, mais do que o normal. Nós vimos o governo sendo eficiente e misterioso em Cloverfield, mas em Godzilla o plano principal é detonar uma bomba ainda mais potente do que a de 1945 bem em cima das criaturas, sendo que elas se alimentam de radiação, seria o mesmo que tentar matar Superman com uma bomba solar, desde a metade do filme ja sabemos que não há nada que os soldados possam fazer e mesmo assim temos que acreditar que todo o plano deles tem alguma chance de funcionar, no entanto, as cenas envolvendo os monstros e humanos são muito boas, eu dou destaque para acena da ponte.... definitivamente um enorme cagaço.

O visual do filme está perfeito, a aura de catástrofe e fim do mundo são bem trabalhadas e realmente acreditamos que o mundo corre perigo, mesmo sem vermos os monstros direto (um bom charme, diga-se de passagem é poder vislumbrá-los de tempos em tempos).

A luta no final, quando os tres monstros finalmente se confrontam é muito entusiasmante, lembrando demais os filmes clássicos da Toho, com o Godzilla apanhando e depois virando a batalha com golpes surpresas, no entanto ao todo houveram três lutas no filme, porém somente a ultima foi mostrada, isso me deixou com um gosto amargo na boca, como se o diretos simplesmente tivesse excluido as cenas, ou que alguem virou a camera no momento exato em que os bichos partiram um contra o outro e escolheu não mostrar o que estava acontecendo.

No final das contas, Godzilla é um filme que agrada mais os fans do monstro por ter cenas muito bem feitas com ele, porém se sustenta apenas pelo fanservice, eu mesmo gostaria de ve-lo muitas outras vezes. Mas se o nome Godzilla não significa nada pra você, sugiro que evite vê-lo pois vai ter muito drama humano desnecessário e pouca briga de monstros, nesse caso é melhor ficar com o Circulo de Fogo mesmo.













4 de mar. de 2014

Uma Análise Sobre o Antigo e o Novo Robocop

Olá pra vocês! Espero que estejam muito bem.
A postagem de hoje vai fazer eu me sentir muito mais velho do que sou. Veja bem, eu SEMPRE falo sobre coisas que foram criadas muito antes de eu nascer como se tivesse testemunhado sua estréia no mundo, mesmo que a maioria delas eu apensas tenha conhecido através de VHS/DVD/Pirate Bay etc.

Eu nasci na década de 90 e até meados dos anos 2000 eu era uma criança estranha e medonha que conhecia vagamente algumas coisas da cultura pop, hoje eu sou um adulto estranho e medonho que conhece vagamente uma vida social saudável e cria postagens sobre coisas estranhas e medonhas neste blog estranho e medonho para pessoas.... lindas e... cativantes.... ^ ^

E desde pequeno eu conheço Robocop, claro que não fazia muita distinção entre a qualidade do primeiro ao terceiro filme, mas hoje é claro que vou analisar o único que pode ser realmente considerado um filme marcante e até mesmo formador de opiniões que é o primeiro dirigido por Paul Verhoeven.


Robocop saiu em 1987 e contava a historia de Alex Murphy, um policial da obscura e suja cidade de Detroit, que acaba morrendo e tendo seu corpo completamente destruído em um tiroteio contra uma gangue. Os restos de Murphy são imediatamente mandados para fazerem parte de um projeto da nova corporação que agora tem total controle sobre as forças policiais de Detroit, a OCP (Omni Consumer Products), que pretende criar uma nova cidade em cima da velha Detroit chamada Delta.
Murphy acorda então como uma máquina, construída junto de alguns dos seus restos mortais, porém tendo somente seu rosto com aspecto humano, todas as suas emoções foram retiradas e dele restou apenas seu trabalho como um policial, agora blindado e incansável.

Robocop era um filme que usava de uma frieza absurda para uma produção tão abrangente, não se tratava de um filme B, era um projeto ambicioso porém de orçamento modesto que trazia uma crítica ao imperialismo que marcaria uma geração inteira, e curiosamente (mas sem nenhuma surpresa) um público infantil considerável, o que rendeu duas continuações água com açúcar.

A forma como tudo parece ser manipulado pelo presidente da OCP com aquela crueldade e superficialidade direcionada a importância à vida humana faz você pensar no quão próximos de bonecos nós somos para algumas corporações. O filme também flerta com a hipocrisia e cinismo do povo americano, mostrando notícias e um programa de humor nas TVs da cidade, onde tudo parece sensacionalista, alterado e coisas que deveriam ser sérias se tornam piada para o povo.
 

Quanto ao protagonista, pode-se dizer que a trama gira em torno da esperança de que ele recupere sua humanidade e que seu lado humano (ou o que sobrou dele) consiga ter o controle sobre a máquina.
Robocop surgiu em uma época onde a tecnologia era temida por muita gente, as pessoas morriam de medo só de imaginar que o futuro fosse tomado por máquinas e que estas se tornassem muito superiores ao resto da população em termos trabalhistas e intelectuais. O reflexo disso no filme de 87 é que ele chega até mesmo a ser bizarro com uma visão exagerada, porém realista de como robôs tendem a ser usados no futuro, e podemos até mesmo dizer que algumas coisas estavam certas quanto a utilização de máquinas de combate.

Os efeitos especiais eram tão bonitos que o filme não conseguiu ficar datado, até mesmo a movimentação em stop-motion do robô assassino ED-209 é um charme a parte hoje em dia, sem falar que torna o maldito muito intimidador.
A armadura de Robocop que o ator Peter Weller usava nas filmagens era extremamente desconfortável, pesada e quente, ele é considerado até hoje um dos atores a fazer um dos papéis mais difíceis do mundo, e o próprio Peter afirma que poucos atores sofreram ou vão sofrer como ele em um estúdio.

Robocop teve um impacto inacreditável na época em que saiu, as pessoas estavam depressivas e sem motivação em plena era Raegan, com as grandes industrias intimidando qualquer vestígio de crescimento ao seu redor.


E então chegamos ao filme Robocop de 2014

Eu confesso que estava atolado em preconceito quanto a esse filme, o trailer que havia saído um tempo antes do lançamento simplesmente me deixou decepcionado e eu não esperava nada além de um mero blockbuster.

Então percebi que ele estava sendo muito bem elogiado, e até mesmo recebi uma certa insistência de um amigo para deixar meu preconceito de lado (mas isso é um pouco difícil quando a insistência vem de uma pessoa que acha filmes atuais melhores do que os antigos). E é por causa disso que antes de falar do novo Robocop eu pretendo fazer uma observação sobre o cinema atual e o das décadas passadas.

O que você espera de um filme hoje em dia? Quando você vai ao cinema, espera ver alguma coisa além de CGI nos efeitos especiais, ou uma história que por mais que marque você será esquecida pela maioria?
Uma coisa que ficou mais do que clara nos últimos anos é que a partir do momento em que Hollywood percebeu que entramos em uma era onde QUALQUER coisa pode criar vida nas telonas, uma onda massiva de mesmices enlatadas choveu nas bilheterias, o resultado foi que aos poucos nos acostumamos e praticamente nenhum filme nos surpreende mais, porque...oras, você SABE que não existem mais monstros impossíveis de serem criados, cenários fantásticos são maravilhosamente ultra-detalhados, e isso é o mínimo que alguém espera de um filme fantástico.
Por um lado, podemos dizer que atingimos um grande novo patamar dos efeitos visuais, mas por outro já podemos dizer que é o mesmo que estar sonhando e sabermos que é um sonho, já que a técnica de criação será sempre a mesma.

Então, imagine agora em tempos modernos, onde todo mundo está acostumado com tecnologia e a sua maior preocupação é se o motoqueiro que entrega a sua pizza errar o caminho.
O quanto um Robocop significa hoje em dia? E mesmo que ele tenha uma crítica forte a fazer, ela vai ter algum efeito sobre a população?

Acreditem em mim, o novo filme se enquadra logo na segunda situação acima.
Eu devo dizer que fico muito orgulhoso que o remake de Robocop tenha sido dirigido logo por José Padilha, consagrado graças ao marcante Tropa de Elite. Fico mais orgulhoso ainda ao perceber que o diretor brasileiro não tentou recriar o filme de 87, mas sim fazer um equivalente para os dias modernos, tendo um outro ponto de vista e um alvo de crítica muito mais socialista.

Agora Alex Murphy não morre crivado de balas, ele tem seu corpo inutilizado graças a explosão de seu carro, tramada por uma gangue da qual mandou seu parceiro para a UTI em um tiroteio. Detroit é um linda cidade futurista que se encontra dividida entre a aceitação de robôs policiais nas ruas e a aversão da maioria às máquinas.
Para conseguir uma aceitação do público, a ideia de uma máquina com mente humana é cogitada e o projeto Robocop entra em ação graças ao financiamento da OCP com um genioso médico que trabalha com próteses mecânicas de altíssima complexidade.
O maior diferencial aqui é que o nosso novo Robocop começa exatamente como um humano, sendo limitado apenas pelo fato de seu corpo ser de metal e suas expressões faciais estarem reduzidas, o rosto de Murphy também é mostrado com muita frequência, um contraste ao filme antigo onde o personagem so tinha sua boca visível.
É curioso ver como agora, justamente quando a historia mostra uma máquina precisando receber aceitação do público, o produto vendido é quase inteiramente humano.
Nós temos também um destaque para a família do protagonista, que ao invés de abandoná-lo, procuram uma chance de fazer as coisas voltarem a ser o mais próximo do que eram antes.

Agora não temos uma programação americana mais cínica e estúpida na TV, no lugar vemos um noticiário sensacionalista que tenta convencer a população americana a aceitar o uso de máquinas, a ideia funciona e conseguimos ter uma boa noção de como a informação que nos é passada quase nunca condiz com a realidade.
O desprezo pelo valor humano é tão bem explorado quanto no filme clássico, me arrisco até a dizer que é muito mais bem embasado, nós sabemos muito bem o que é importante para cada personagem na trama e na maioria das vezes vamos nos identificar com certas atitudes e reações tomadas por eles.

O aspecto do Robocop foi o que incomodou muita gente, eu mesmo digo que não só neste filme mas em qualquer outro filme moderno a tecnologia futurista que nos é apresentada não me agrada nem um pouco, tudo é polido, tudo reflete, tudo é simplista, exatamente como a tecnologia que temos agora (é a lógica das coisas eu sei, faz todo sentido um robô policial ser ágil e mais leve do que pesado e lento, mas o que é atual é tão sem graça... >.<).

O novo Robocop é de longe um filme muito menos frio e também triste em poucos aspectos, ele se foca em um lado frenético da ação em alguns momentos e mesmo trazendo uma crítica totalmente contextuada e até mesmo mais forte para os nossos tempos muito provavelmente não vai significar muito para os telespectadores atuais. Como eu disse, nós estamos em uma geração onde nada mais impressiona e as coisas tendem a piorar cada vez mais, o surgimento de tantos remakes, reboots e adaptações já comprova isso.  


Então é isso minha gente, eu recomendo o filme, se você está pensando no que ver no cinema eu acho que Robocop é uma boa pedida, tente vê-lo como um outro filme, uma versão moderna e não o mesmo de 87, eu garanto que será satisfatório.



27 de dez. de 2013

O Hobbit: A Desolação de Smaug

Olá meus caros! Como vão todos? Eu espero que bem, hoje é dia de falar sobre o segundo filme da trilogia O Hobbit, pra quem ainda vai ver não precisa se preocupar, eu deixarei avisos evidentes de spoiler quando for fazer um, mas é aconselhável que esteja pelo menos por dentro da história do livro.

Peter Jackson já se mostrou ser o melhor diretor que os filmes inspirados no trabalho do Tolkien poderiam ter, ele não se contenta  em apenas reproduzir o que as páginas do livro descrevem, muito menos estragar tudo fazendo só o que seu ponto de vista diz que vai ser bom, nosso caro diretor sabe recontar as histórias ao seu próprio modo sem tirar o contexto nem a proposta original, elevando tudo a um novo patamar do entretenimento cinematográfico.

A historia é a continuação direta do primeiro filme(duh) e se foca na dificil jornada de um acomodado hobbit chamado Bilbo Bolseiro que é convencido a partir em direção a uma montanha gigante para ajudar um bando de anões a recuperar seu magnífico tesouro roubado pelo último dragão da Terra Média.

Que orgulho, consegui resumir tudo em três linhas ^ ^

A questão, já citada aqui na minha postagem sobre o primeiro filme é sobre como um livro tão simples e rápido rende uma nova trilogia de quase três horas cada filme.

Claro que muita coisa precisa ser inventada, muitas cenas precisam ser estendidas e outras, talvez de menor relevância, reduzidas.


Aqui, começamos com a introdução ao personagem Beorn, o troca-peles que oferece abrigo aos anões, ao mago e ao hobbit, Beorn curiosamente teve uma participação curta, eu poderia dizer que sua participação consegue ser menor do que a do livro, o que não é um problema, o personagem é interessante nas duas mídias, mas acho que ele ficou grandioso demais no filme para ser resumido a uma simples ferramenta de roteiro, por sorte, vamos ter a chance de vê-lo em combate no terceiro filme, e isso provavelmente vai valer muito a pena.

Meu próximo destaque agora é para a floresta sombria, e o que me fez perceber a liberdade que a equipe de design do filme está tendo, na trilogia do anel esta floresta provavelmente seria retratada da forma mais realista possível, muito semelhante a uma floresta comum, apenas com o fato de que seria muito densa e obviamente escura, mas não em O Hobbit! O lance que mais me agrada nestes novos filmes é que eles não são carimbados com aquele ar de "O SENHOR DOS ANÉIS". Na verdade muitas vezes pensamos estar assistindo a uma magistral partida de D&D convertida em filme, tudo está cheio de variedade, sem uma arquitetura padronizada, o lado caricato e exagerado da Terra Média é trazido a tona, o resultado é uma floresta sombria retorcida, uma Cidade do Lago parecendo uma versão gótica de Veneza e o melhor dragão já visto no cinema.




É claro que tem gente que não gostou do filme, ainda mais depois da ridícula cena que o pessoal do Nerdcast fez ao ficar um programa INTEIRO de mimimi por conta de seus gostos pessoais terem sido frustrados, e muita gente foi nessa onda de odiar o trabalho só porque é diferente do livro.

Bom, eu também digo que ele é diferente do livro, e mais, digo que é MELHOR do que o livro. Claro que é opinião minha e isso não implica nada.
Mas pense por um instante, por quê você se obrigaria a gostar mais de alguma coisa so porque ela veio antes e é cult? A historia do livro está lá, contada de forma clara e é exatamente igual, a diferença são as sub-tramas e as cenas de ação, ou vai me dizer que os anões deveriam chegar até a montanha apenas contando com a sorte, assim como foi no livro?

Existem duas críticas negativas que tenho a fazer no entanto.
A primeira é sobre o uso da CGI. O primeiro filme parece ter efeitos melhores do que este, mas não entenda errado, como um todo ele é fantástico, algo do nível de AVATAR, mas quando você presta atenção nos detalhes eles parecem irreais demais, assim como os orcs, que ficariam mais legais se fossem feitos com atores e maquiagem, como na trilogia do anel, o Smaug pode te deixar de boca aberta por todo o tempo em que ficar em cena, tudo no dragão está muito bem-feito, mas suas escamas ficaram tão sutis que as vezes ele parece que não as tem.

A segunda é SPOILER, mas não é nada crucial, então pode ir ver o filme, ele já está recomendadíssimo.

Existe um romance entre o anão mais novo do grupo Kíli e uma elfa chamada Tauriel, esta personagem foi inventada para o filme e eu não tenho reclamações quanto a ela, o problema disso tudo é exatamente o romance.
Eu não vou dizer coisas estúpidas do tipo "anões e elfos não devem ficar juntos", "isso não tem no livro, por tanto é uma merda", "romance é desnecessário". O que eu quero dizer é que o romance precisa repercutir em algo, é claro que ainda é cedo para dizer isso pois temos mais um filme pela frente, só que tudo indica que esta historia está lá só pra dar um sentido para o Kili ser relevante, o que me frustra, pois muitas outras desculpas poderiam ser inventadas. A questão é que não tem graça ver um amor inusitado surgir em um filme só para mudar conceitos de nerds grotescos.
Se Peter Jackson fez isso só porque achou que ficaria legal, foi uma bola fora.
                                            ACABARAM OS SPOILERS 




Então é isso, já faz um bom tempo que estou com esse post parado aqui, mas o importante é que finalmente terminei ele. Estou pensando em fazer um mega-post sobre Doctor Who, contando um pouco da historia e falando sobre o grande e misterioso alienígena que protagoniza a série, mas ele só virá ano que vem.


















3 de out. de 2013

O Mundo Perdido (1998) - Encontrar o Platô é Mais Fácil do que o Filme

Olá vocês, tudo bem? Esses dias me lembrei que quando era criança eu costumava alugar um VHS com uma certa frequência, tratava-se de um filme B chamado Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World, ou apenas conhecido como O Mundo Perdido.



Quem assistiu a série homônima que passava na Record pode estar se perguntando se não falo da mesma obra (principalmente porquê ambos tem o mesmo professor Summerlee). Mas eu realmente me refiro a um dos vários filmes que o livro do Conan Doyle recebeu.
Eu poderia falar de muitas outras coisas mais famosas relacionadas ao Mundo Perdido, mas quero ressaltar que esse filme tem um valor muito grande pra mim, ele tem péssimos efeitos especiais, atuações simplórias e uma história que parece faltar alguma coisa, mas mesmo assim eu gosto demais dele, era um dos meus filmes de dinossauros preferidos, talvez por ter um ar mais sinistro que os outros do gênero.

Vamos ao roteiro:
Maple White era um cientista (eu acho) que depois de meses de viagens e pesquisas duras finalmente descobriu a localização de um planalto que fica nas geladas terras mongóis, a muralha natural do lugar de dificílimo acesso foi explorada pelo homem e seu companheiro nativo, e, não tardando muito Maple encontrou o que parecia ser um ovo de Pterodáctilo, mas durante sua comemoração enquanto ouvia música clássica no gramofone e ignorava seu amigo temeroso um bando de morcegos pré-históricos acordaram e os atacaram, Maple caiu do planalto e sobreviveu por algum tempo depois, mas só o suficiente  para ter uma última conversa com seu amigo George Edward Challenger, e despertar-lhe uma obsessão pelo lendário elo perdido.
Challenger então retorna para a Inglaterra e mesmo se tornando alvo de chacota insiste na existência do planalto e de seus habitantes preservados no tempo, durante uma conferência ele termina propondo uma expedição até a Mongólia novamente, nesta expedição estão presentes o caçador John Roxton, o jornalista Edward Malone, o antropologo Arthur Summerlee e a filha de Maple, Amanda White.

Todo o começo do filme segue com uma boa fidelidade ao livro original, os personagens e seus motivos são os mesmos, a primeira personagem inventada na expedição é Amanda, assim como a Marguerite Krux do seriado, elas existem apenas nessas mídias e não existe nenhuma menção sobre ambas no livro (o que poderia fazer alguma diferença, já que o livro é chato pra cacete). A segunda acompanhante do grupo que foi inventada pra história é a Djena, uma garota mongol que mais tarde acaba virando a paquera de Malone, diferente da Veronica do seriado, Djena é bem inútil e só serve pra ser atacada e desmaiar logo depois, mas isso não a torna uma personagem irritante, ela só não é uma loira selvagem que anda semi-nua e senta porrada nos dinos.
Mas por quê eu estou comparando o filme com a série de 1999?  
Porque ele serviu de inspiração pra mesma, até mesmo o nome do Conan Doyle no título, mas a questão é que esse filme só passou na TV e depois foi publicado em VHS, ele não tem nem 1/30 da fama que o seriado que veio depois dele ganhou, o que o faz uma raridade.

Depois que os personagens chegam na Mongólia, as coisas começam a seguir seu rumo próprio para o filme, começando que, essa é a única adaptação do livro em que o platô não fica no Brasil escondido na Floresta Amazônica.
Os habitantes da região são Neandertais, uma tribo de humanoides extremamente agressiva e que cultuam um bizarro Tiranossauro que tem ponto de caça próximo ao local onde o balão da expedição cai, aqui não tem nenhum homem-macaco, muito menos índios vivendo no planalto.

A trama do filme segue bem interessante até a metade, depois disso começa a ficar meio sem foco, a falta de dinossauros também acaba se tornando um problema e o lugar perigoso em que o grupo se encontra passa a não parecer tão ameaçador, até o final a trama já não lembra mais em nada a historia original, isso não é um problema, eu mesmo gosto bem mais do desfecho deste filme do que do livro, mas não da pra evitar a sensação de vazio e que o filme poderia oferecer muito mais.

Quanto a trilha sonora, o filme tem uma quantidade pequena de músicas, porém o tema principal dele é ótimo, pena que eu não encontrei a intro em nenhum lugar (nem procurando pelo nome do  compositor).

Os efeitos são realmente precários, o uso de computação gráfica foi um tanto quanto mal utilizado, principalmente porque nessa época era uma técnica ainda em desenvolvimento. O resultado disso é que temos algumas misturas de dinossauros animatrônicos muito simples que de um corte de cena pro outro se tornam feitos de CGI com modelos muito diferentes, alguns detalhes de design são estranhos também, como os braços grandes de Dromeossauro do T-Rex ou os espinhos na cauda do Brontossauro.

Por fim, a versão de 1998 de The Lost World deve ser a mais odiada pelos fãs do trabalho do Conan Doyle, mas por alguns motivos pessoais acabou se tornando um dos meus filmes favoritos de dinossauros, eu não sei se gostaria dele se o visse pela primeira vez recentemente, mas uma coisa é certa, ele consegue manter um clima bem interessante, mesmo nas partes que poderiam ser melhores. Essa postagem é quase um favor que faço a mim mesmo por guardar aqui as minhas informações sobre essa pérola meio rara. A versão menos conhecida no entanto, acredito que seja a de 1992, essa nem mesmo o Google acha muita coisa (o que me deixou com muita vontade de assistir).

Por fim deixo um trailer meio cafona, mas que foi o único  que consegui abrir no blog, até a próxima!

  
 
 
















15 de set. de 2013

Silent Hill: Sad Revelation

Uhul! Sou eu de novo, e pretendo voltar mais vezes porque tenho temas para abordar! Temas felizes! Temas épicos! Temas emocionantes!

E agora que disse isso, apenas pra mostrar que sou sádico, vou falar sobre o novo filme de Silent Hill.....


Eu ja citei a um tempo atrás que não gostava de fazer postagens detonando coisas porque a intenção aqui era falar de tudo o que gosto e tals... mas e quando a continuação (ingenuamente) bem aguardada de um grande filme acaba se tornando uma bomba pra lá de ruim? Eu quis falar desse filme desde quando ele ainda era só um rumor pela internet, nessa época as coisas eram meio diferentes, e rolavam boatos de que seria o próprio diretor do primeiro filme a trabalhar nesse, mas no caso, o diretor foi Michael J. Bassett.


O que O Filho do Máskara, A série de filmes Resident Evil do 2 em diante e Silent Hill Revelation tem em comum?
Eles são filmes que não se limitam apenas a serem mal-produzidos, são filmes que não tem a necessidade alguma de existirem.

Eu costumo me interessar bastante por esse negócio de adaptação, é verdade que poucas adaptações são bem trabalhadas e na maioria das vezes acabam virando vergonhas para um bom título original. Mas o próprio filme Silent Hill lançado em 2006 (do qual você pode ver uma velha postagem falando sobre ele bem aqui) foi o melhor nesse tipo de coisa. Quase 7 anos depois sai uma continuação muito aguardada por vários fãs da série de jogos incluindo a mim, no entanto eu simplesmente parei de gostar de sequencias para historias das quais não foram criadas para tal, isso quando esse filme ainda tava em cartaz no exterior, alguma coisa me dizia que era só mais um caça-níquel hollywoodiano.
Felizmente eu assisti ele online, o que me poupou o esforço de pagar um ingresso estranhamente caro com a desculpa de que o filme está em 3D e por isso vale a pena.

Mas quem não viu ainda e gostou muito do primeiro me pergunta:
-É tão ruim assim mesmo?
E eu respondo:
-Seria mais um filme tosco de 2013, se não fosse continuação oficial do bem dirigido SH de 2006 e  também a impressão de que o diretor está rindo da sua cara enquanto você assiste.

A história é uma distorção da trama de Silent Hill 3 do PlayStation 2, assim como a do primeiro filme foi uma distorção do SIlent Hill do PlayStation, mas a diferença fica muito clara depois de alguns minutos de filme, quando percebemos que ele copia na cara dura detalhes do jogo apenas pra não ter que desenvolver nada novo, por exemplo, Sharon da Silva (sim, ela saiu da dimensão paralela onde ela e sua mãe Rose estavam) vive uma vida cheia de correria com seu pai para fugir das influências da cidade amaldiçoada, quando a historia do filme se passa, seu nome falso no momento é Heather enquanto o do pai dela é Harry Mason, coincidentemente muitos dias antes do aniversário da moça, "Harry" a presenteia com.... UM COLETE EXATAMENTE IGUAL AO DO JOGO! Sério!, porquê você daria um colete branco de presente pra sua filha? Mas isso não importa, não importa porque agora temos uma Heather Mason que é morena mas tem o cabelo curto e tingido de loro que usa um colete que faz com que ela se pareça com uma cosplayer do 3° jogo! Quem o diretor quer agradar com isso? Os fãs? Fãs imbecis talvez...

Os personagens não são originais, isso tanto no sentido de serem versões malfeitas do jogo quanto no sentido de serem mal trabalhados, a Claudia Wolf é irmã da vilã Cristabella do primeiro filme, mas onde ela "morava" então já que todos os humanos se refugiavam na igreja? Por quê ela quer fazer um culto a Samael se este demônio nem existia no filme anterior e as pessoas da cidade eram retratadas como crentes devotos?

Vincent Wolf aqui é um garoto da mesma faixa etária da Heather, e adivinha só, o filme tem um pouco de romance adolescente, pois quem ajuda a moça em Silent Hill não é o detetive Douglas, que aparentemente era velho demais para ser um personagem interessante na trama e morre.

Os monstros não tem impacto, nada de nojeiras, nada de ruídos estranhos, nada de escuridão perturbadora. Tudo é corrido, apressado, Heather simplesmente atravessa cada cenário como se fosse um jogo de fase, pega qualquer item e vai para o próximo estágio, a trilha sonora é a mesma do 3° jogo, mas isso apenas faz você se sentir chateado de ouvi-las numa produção tão desleixada.
Os efeitos especiais se limitam a uma maquiagem pouco convincente de perto e muita CGI de longe, a cena do monstro manequim parece um filme de ação.


Eu achei a cena, pode assistir a vontade, não dá medo, a menos que você seja facilmente impressionável (o vídeo contém cena de nudez parcial... ¬¬ antes que algum(a) engraçadinho(a) diga qualquer abobrinha a respeito disso).

E além disso até mesmo o mundo alternativo tem uma boa iluminação, o que significa em termos técnicos uma má iluminação.

O Pyramid Head também aparece aqui, mas assim como no Silent Hill Homecoming ele não faz nada, é apenas fanservice (por quê eu não estou impressionado?), ah não... espera... ele faz alguma coisa sim...

SPOILER Ele luta pela Heather no final contra a Claudia como se fosse um Pokémon SPOILER

Enquanto o filme chega em sua conclusão, é dificil não se sentir enganado, perceber que tudo não passou de uma colcha de retalhos do 3° jogo, emendada de forma grosseira, com atuações medianas e um desfeixo forçado. Eu só consigo imaginar adorando esse filme aquela pessoa fanática por Silent Hill, que coleciona tudo o que vê pela frente relacionado a franquia e não se importa que o filme tenha uma trama medíocre desde que mostre cenários e monstros do jogo.
Eu fiquei triste com o resultado disto, principalmente porque sempre achei que seria tão bom quanto o filme sério de 2006.

Ah! E se preparem, porque um filme inspirado e Silent Hill Downpour seguindo estes mesmos passos pode estar a caminho.






9 de abr. de 2013

As vezes tenho medo que me diga que isto não é uma obra de ficção

Como vão todos? Eu estou muito bem, entrei pra uma editora independente de HQs chamada Blue Comix, mas como ainda não dei meus primeiros passos por lá não estou pensando em criar postagens sobre isso por enquanto.

O assunto de hoje é sobre o meu atual filme favorito, este que gera dúvidas na maioria das pessoas que o veem e acima de tudo, consegue ser um dos trabalhos cinematográficos mais inesquecíveis que muitos já assistiram.


Mas afinal de contas, o que é Donnie Darko?
Donnie Darko é um filme de 2001 escrito e dirigido pelo jovem diretor estreante Richard Kelly, que, por causa do marketing raso e a classificação de gênero errada acabou sendo uma decepção nas bilheterias. Até hoje você pode encontrar Donnie Darko na sessão terror em várias locadoras, sendo que o filme se trata de ficção científica.
E isso já nos leva a um ponto interessante sobre esse filme.
Se você assistir ele sem saber o que esperar, existe uma grande chance de terminá-lo sem nem ao menos entender que realmente se trata de uma ficção científica. Mas vamos por partes.

Sinopse:
Em uma cidadezinha chamada Middlesex (é isso mesmo), a população se encontra curiosa e apreensiva com o término da década (a historia se passa em 1988), o que faz com que pessoas conservacionistas pipoquem em todos os cantos, e entre gente chata e gente medíocre existe Donnie Darko, que é simplesmente o jovem mais problemático de Middlesex, tendo problemas psicológicos que podem torná-lo um cabeça-quente de uma hora pra outra, gerar crises de esquizofrenia e um pequeno histórico de crimes contra propriedades privadas.
Donnie não é muito bem visto pelo pessoal da cidade e parece se desentender o tempo todo com sua família, suas notas na escola não são as melhores (mesmo que ele prove ser um gênio em dados momentos) e seus únicos dois amigos são panacas.
No dia 2 de outubro de 1988, enquanto todos dormem, Donnie acorda ao ouvir uma voz misteriosa que o chama para fora de casa, seguindo a ordem, ele se vê em seu jardim de frente para um coelho demoníaco que lhe avisa que o mundo vai acabar dentro de 28 dias, 6 horas 42 minutos e 12 segundos. Na manhã seguinte ele acorda em um campo de Golf com o tempo que lhe resta escrito a canetão em seu braço esquerdo, ao voltar pra casa, Donnie descobre que enquanto esteve sonâmbulo a noite toda uma turbina de avião despencou do céu e aterrissou direto em seu quarto. Donnie Darko foi salvo por uma alucinação, ou será que de alucinação não tinha nada?

A primeira coisa que difere este filme de muitos outros do mesmo gênero, é que você sabe exatamente as mesmas coisas que o protagonista sobre o que está acontecendo ao seu redor, então se a ficha de Donnie ainda não caiu, provavelmente a sua também não. E é comum também chegar o momento em que Donnie descobre o que realmente está acontecendo quanto a profecia e o telespectador ainda está boiando, afinal, nada é explicado diretamente, tendo você mesmo que ligar os fatos e saber o que houve, isso enquanto a sisma de que tudo não passa de ataques de esquizofrenia do personagem fica martelando em sua cabeça.


Quanto aos personagens, eles são fantásticos. Cada um recebe uma hora ou outra um momento importante que define fatos futuros ou apenas reações não esperadas de Donnie

Além do próprio protagonista, podemos criar um grande afeto por alguns outros personagens como Frank (o cara fantasiado de coelho que assombra o Donnie)   a namorada de Donnie, Gretchen Ross, a professora de inglês Karen Pomeroy (interpretada pela lindíssima Drew Barrymore), o pai Eddie Darko, a irmã mais velha Elizabeth Darko e a mãe Rose Darko.



Alguns anos depois do lançamento, Donnie Darko ganhou o status de filme cult e nunca mais vai sair deste pedestal bem merecido, mesmo que eu seja contra gente que coloca o filme numa redoma dizendo que ele é perfeito e nunca deve ser profanado, eu apenas concordo que ele é único, simplesmente uma ótima combinação de referências, personagens diferenciados, trilha sonora marcante e uma trama simples que requer tempo e atenção para ser compreendida.

Existem algumas críticas mescladas ao roteiro que em certas horas vem a tona, como a auto-ilusão criada por certas pessoas para disfarçar seus problemas ou seus medos, o próprio conservacionismo que eu já citei lá em cima e as malditas regras de sociedade que definem padrões de beleza e comportamento.

OK, se você ainda não viu o filme, leia somente até essa parte, porque agora eu pretendo escrever um pouco sobre as teorias apresentadas na história, a única recomendação que eu faço é que você procure a versão do diretor, pois é a única que esclarece os eventos ocorridos de forma discreta, e é obvil, não cometa o crime de assistir dublado (se é que existe), filmes assim precisam estar no áudio original para não se perder nada.
Depois volte aqui (principalmente se não entendeu nada) e leia a minha visão da trama (sim, nem todo mundo vai interpretar a mesma coisa).

Deixo aqui um trailer de fã muito bem feito pra encerrar o post básico.







Donnie Darko e física quântica:

Na física quântica existem centenas de teorias e especulações sobre diversos fenômenos presenciados ou apenas "possíveis" de serem reais, um deles são os Wormholes ou Buracos de Minhoca, onde se pode usá-los para cortar um atalho entre dimensões, espaço-tempo ao apenas viajar no tempo. Os Buracos de Minhoca são extremamente instáveis e não conseguem suportar um quantidade significativa de massa, o que indica que a única forma de cruzá-los é com um objeto que quebre a velocidade da luz.
No filme existe um livro misterioso que Donnie ganha de seu professor de física chamado A Filosofia da Viagem no Tempo, este livro que foi escrito por uma mulher que todos acreditam já estar louca fala sobre um estranho fenômeno chamado de Universo Tangente.
Agora entra uma lenda bem sinistra de que este livro realmente foi escrito, e que Donnie Darko apenas foi inspirado nele. Eu apenas acho que tudo não passa de uma mera história. As paginas do livro que foram mostradas na versão do diretor podem ser encontradas na internet para serem lidas a qualquer momento, no entanto apenas as páginas que foram mostradas no filme, o que comprova que não passa de um complemento para o entendimento dele.

Explicando o básico da trama:

A principal coisa que você conclui depois que assiste ao filme é que realmente houve uma viagem no tempo, a cenas no final em que Donnie observa o Buraco de Minhoca se formando e depois desprende a turbina comprovam isso, então sabemos que o responsável pelo acidente foi o próprio Donnie.

Mas não foi ele que mandou ela na linha temporal em que a historia começa.... então, quem seria o responsável?
O responsável nunca foi esclarecido, provavelmente Deus, o próprio tempo ou qualquer outra força cósmica que quisesse zuar a realidade.
Mas então, o que aconteceu para que Donnie precisasse se responsabilizar pelo acidente?

Bom, imagine que exista uma linha do tempo em que as coisas praticamente são traçadas e nada acontece por acaso...

Linha do tempo: _______________________________________

Mas então, alguma coisa interfere nessa linha natural, essa coisa precisa ser um objeto metálico que não pertence ao universo em questão (nesse caso a turbina de avião, por isso ninguém sabia de qual avião ela se desprendeu, afinal de contas era um avião que só iria decolar 28 dias depois). Esses objetos são chamados de "Artefatos"

E o resultado é isso...
                                           
Linha do tempo:__________ _______  ____________________

A parte onde a linha do tempo se fragmenta é onde o Artefato caiu e a outra parte fragmentada é o tempo de onde o Artefato veio, quando isso acontece, o destino não pode mais seguir seu curso, pois alguma coisa inexplicada aconteceu, é como se você estivesse jogando Mario Bross e de repente o Sonic aparecesse como personagem jogável, buga tudo, é algo inadmissível.

Então a linha do tempo se transforma em um Universo Tangente...
                                             _______
Linha do tempo:__________

O Universo Tangente surge como um modo de emergência, e se o problema com o Artefato não for resolvido até o dia certo a linha do tempo se choca com ela mesma e destrói toda a existência. ^ ^

Para corrigir o erro, um Receptor Vivo (Donnie) é escolhido, este deve ser guiado de forma precisa até o dia certo para que esteja no momento certo e corrija o problema, para isso ele recebe algumas habilidades chamadas no livro de poderes quadrimensionais que são:

Manipulação de água (inundar a escola)

Manipulação de fogo (queimar a casa do molestador de garotinhas)

Força sobrenatural (quebrar um cano de água resistente e depois cravar um machado na cabeça de uma estátua de bronze maciça)

Manipulação da mente (não sei exatamente onde isso entrou, mas acho que se relaciona ao comportamento dele durante a palestra)

Tele cinese (não parece mas foi ele quem separou a turbina do avião no final)

O Receptor Vivo também recebe a ajuda de alguém que morreu no Universo Tangente estes são os Manipulados Mortos, nesse caso é o Frank, a Gretchen Ross bem que poderia ser uma, mas ela estava viva em todos os momentos do filme, lembre-se que existia um Frank vivo também, sabe-se lá onde foi parar o espírito da namorada do Donnie, talvez o Frank tenha sido mais do que o necessário.
O Manipulado Morto tem a missão de controlar o Receptor Vivo em seus sonhos para fazê-lo chegar ao seu destino. Lembre-se que todas as cagadas que Donnie fez ele estava recebendo ordens de Frank.
A cena do atropelamento e do tiro no olho nada mais são do que uma armadilha de segurança, o que definiu de vez as atitudes finais de Donnie, pois com isso ele não tinha mais escolha a não ser resolver o problema (afinal de contas o que mais ele podia perder?).

Os Manipulados Vivos cumprem seu papel como pessoas convenientes em momentos convenientes, geralmente dão dicas importantes e agem até mesmo de forma inesperada, o maior exemplo foi quando a professora do Donnie escreveu Cellar Door na lousa antes de sair da escola para nunca mais voltar, a professora de educação física megera e os outros personagens que faziam parte do conselho estudantil também traçaram rotas importantes para que Donnie seguisse.
Curioso como aos poucos em que ele vai lendo o livro e entendendo o que estava acontecendo, seu medo de estar em um universo "bugado" com pessoas controladas vai se tornando um terror profundo que, provavelmente fez a maior parte de nós sentirmos muita pena dele.

Quando o Universo Tangente é consertado, as pessoas que se envolveram acabam tendo alguns sonhos que se relacionam ao mundo paralelo que acabou de se extinguir (sim, depois que os problemas são resolvidos o Universo Tangente não precisa mais existir, pois a linha do tempo agora segue seu curso) isso causa remorso na maioria e tristeza em outros, pois o destino sempre troca a vida de alguém pela ordem da natureza. (Isso nos faz pensar naquela pessoa que morava umas três casas ao lado da nossa, que morreu em algum acidente e que não ligávamos tanto, mas que por algum motivo sentimos uma certa culpa ou mesmo dor por sua morte, vai saber se ela não salvou o mundo e você agiu que nem babaca pra forçá-la a cumprir sua meta, como tudo foi corrigido, você nunca saberá...).

Depois de tudo o que escrevi, ainda é possível que eu esteja errado em várias ou todas essas coisas, fiquei sabendo que o diretor decidiu explicar o filme há um tempo atrás, mas eu prefiro não procurar pois é muito bom tentar achar a sua lógica para Donnie Darko, e, ainda considero um erro ter que explicar o próprio trabalho.

Há uma possibilidade de que alguns personagens não sejam o que foi mostrado no Universo Tangente, dois bons exemplos são Gretchen e o palestrante do qual eu não lembro o nome, Gretchen poderia ter na verdade, uma família normal e o palestrante poderia ser muito bem um cara decente.


Então, eu acho que isso é tudo, espero que tenha gostado e que algumas dúvidas (pelo menos quanto ao Universo Tangente) tenham sido esclarecidas.







  

30 de mar. de 2013

Ass Kicked - Tudo Quebrado

Essa postagem está a muito tempo inacabada aqui nos rascunhos, eu finalmente criei coragem pra finalizar isso e publicar.

Quem conhece Kick Ass? A famosa revista em quadrinhos de Mark Millar e John Romita Jr. que conta de uma forma cartunesca e exagerada como seria, de fato o nosso mundo com "super-heróis". Esse artigo será exatamente para falar tanto da HQ original quanto do filme que estreou em 2010 e provavelmente destacar algumas diferenças, portanto esteja avisado que vão haver spoilers, leia somente se pelo menos já tenha assistido o filme e não se importa de saber as diferenças.

Vamos ao enredo:
Dave Lizewski é um desses caras que não consegue se destacar em absolutamente nada em seu colégio, sendo ignorado pela maioria e tendo dois imbecis como melhores amigos. O único ponto de escape de Dave, assim como o de muitos adolescentes de hoje são os jogos online, sites de pornografia e acima de tudo revistas em quadrinhos.
Quando Dave começa a se questionar para seus amigos sobre o porquê de ninguém antes ter tentado ser um super-herói de verdade mesmo com tamanha influência logo é censurado e tentam convence-lo de que está dizendo besteiras.
Motivado então a se tornar o primeiro super-herói de verdade, Dave compra uma roupa de mergulhador na internet e decide sair em vigília.

Em sua primeira tentativa de combater o crime depois de semanas é tremendamente frustrado quando recebe uma facada no pulmão e logo depois é atropelado, quebrando assim quase todos os ossos do corpo.
Dave consegue se livrar da roupa (não me pergunte como, isso é simplesmente impossível quando se tem o corpo moído e quase nenhum sangue sobrando) e é encontrado nu pelos para-médicos.

Seis meses depois, agora quase totalmente recuperado e com placas de metal implantadas por todo o corpo, Dave veste novamente sua fantasia e volta para as ruas. Desta vez arruma briga com três grandalhões que estavam prestes a surrar um sujeito que aparentemente devia alguma coisa, nesse momento várias pessoas se aglomeram pra ver a briga, alguém filma, manda o vídeo para o You Tube, e a mais nova celebridade de Nova York surge: o super-herói Kick Ass.



OK, o roteiro é bem maluco não é? Mas soa bem realista em certos momentos, apesar de que nada, de fato precisar ser levado a sério em Kick Ass.
Toda a HQ consegue se destacar das demais principalmente pelo fato de que ela soa crua, não passa nenhum tipo de glamour relacionado aos heróis que conhecemos e quanto mais lemos mais temos a impressão de que Dave está se atolando na merda.
Eu começo a suspeitar de que HQs americanas para maiores, como esta não utilizam de Onomatopeias, pois eu comentei algo parecido na postagem sobre Watchmen.

Os desenhos de Kick Ass são bem cartunescos, muitas vezes chegam a ser engraçados, com alguns personagens que tem a cabeça desproporcional ao corpo, no entanto todas as ilustrações são bem bonitas, algumas vezes o sangue (também desproporcional) lembra suco de tomate.
A ambientização é realmente muito bem feita, temos as diferenças entre as áreas normais e as mais perigosas de Nova York, as pessoas parecem ter um certo grau de loucura e como de costume nesses tipos de trabalhos mais "hardcore" temos uma estranha impressão de que o mundo parece "sujo demais".

Em 2010 Matthew Vaughn dirigiu o longa metragem que popularizou ainda mais o herói meia-boca, criando com fidelidade várias cenas clássicas da história em quadrinhos e contando com um elenco competente, o filme Kick Ass consegue ser melhor que seu produto original em vários aspectos, mesmo não apresentando toda a "sujeira" que os quadrinhos mostram.

OK, a intenção do original nunca foi ser sério, e isso o filme com certeza não conseguiu se igualar, enquanto o Dave dos quadrinhos é um nerd com alguns parafusos a menos, no filme ele tem toda a iniciativa para se tornar um herói de verdade, menos os poderes. E, sinceramente, eu gostei bastante assim.
Quando se adapta qualquer tipo de mídia, é impossível fazer algo que seja idêntico, e nesse ponto muitos diretores fracassam porque não tem a menor ideia de como estabelecer um equilíbrio que faça seus filmes funcionarem sem a mídia original ou simplesmente criam coisas completamente fora do universo que deveriam estar representando. O filme consegue ter uma quantidade satisfatória de personagens carismáticos que servem muito bem a trama adaptada.
Mas agora.... SPOILER que droga de cena foi aquela do Jetpack? Kick Ass de fato age como um herói no final do filme, mas aquilo soa como um super-herói, e a grande jogada da série de revistas sempre foi o fato de que não importava o que ele e os outros personagens fizessem, eles não eram super-heróis de verdade e isso criava um certo choque entre realidade fictícia e a nossa realidade. E isso fo me faz pensar que a parte final do acerto de contas não precisaria de uma mochila a jato com metralhadoras e nem o Kick Ass MATANDO uma pessoa com um lança mísseis.SPOILER.

A HQ teve uma sequencia chamada simplesmente de Kick Ass 2, nela os assuntos inacabados da primeira parte finalmente deveriam se esclarecer, e... ahhh.... caramba! É uma confusão do começo ao fim, se você pretende ler a segunda parte depois da primeira, deixe de lado seu senso de realidade, moral e lógica, porque Kick Ass 2 não tem nada disso e ainda consegue ser legal, já que é uma surpresa (não exatamente feliz) a cada volume. Duas famosas Hqs que se passam no mesmo mundo (e estilo) de Kick Ass foram lançadas por Mark Millar que são Nemesis e Hit Girl, sendo essa segunda um epílogo para um dos maiores personagens de Kick Ass que não teve um final "justo" na segunda HQ.

E ainda por cima este ano (2013 caso você seja do futuro) vamos ter a segunda HQ adaptada para o cinema. Logicamente com mudanças bem mais drásticas da obra original, e provavelmente com apenas 2/10 do banho de sangue que existe na versão em quadrinhos. Mesmo assim, eu espero um grande filme.

Enfim, eu deixei aqui minhas duas impressões sobre HQ e filme. Se você não conhece nenhum dos dois fica então minha dica de leitura ou filme de fim-de-semana, pois ambos servem apenas para entretenimento e sem nenhuma mensagem forte no final, mesmo assim são trabalhos que nunca saem de nossas cabeças depois que conhecemos.

Quanto a próxima postagem:
Graças a postagem sobre criaturas macabras do Lucas eu conheci o Frank, e Frank me apresentou Donnie Darko, e da próxima vez eu vou apresentar Donnie Darko a vocês.






  

21 de dez. de 2012

O Hobbit: Uma Jornada Mais Que Esperada

Como vão meus caros? Espero que estejam todos bem.
Fui assistir O Hobbit nessa segunda-feira e infelizmente só estava disponível dublado, mas vou deixar pra falar da dublagem mais para o final ou meio da  postagem.

Certo, eu nunca falo de filmes que estão em cartaz aqui no blog, talvez porque raramente vou no cinema e sempre escrevo sobre coisas mais antigas porque tenho total liberdade para falar delas sem parecer que estou tendo opiniões tortas, mas no caso de uma adaptação de um dos meus livros preferidos eu não poderia deixar passar a chance de fazer um post.
Como não sou crítico de cinema e este blog não é sobre críticas mas sim sobre análises, eu já deixo claro que vou fazer spoilers, principalmente quando for comparar alguma coisa com o livro, neste momento deixarei a palavra SPOILER escrita em amarelo para marcar o começo e o fim deles, no entanto, não tem como falar do filme sem entrar em detalhes sobre algumas coisas então se não sabe exatamente nada sobre a historia sugiro que não leia a postagem.

Vamos por partes então.
Peter Jackson é sem sombra de dúvidas um dos maiores cineastas do mundo, ele não apenas fez uma maravilhosa adaptação da Trilogia do Anel como também do clássico King Kong, conseguindo torná-lo contemporâneo sem precisar estragar toda a ambientização da história.
Uma das melhores características do diretor, com certeza é sua capacidade de fazer adaptações capazes de tornar cenas que deveriam ser cansativas ou até mesmo bobinhas em sequências dinâmicas e tensas, vimos muito disso em O Senhor dos Anéis e agora podemos ver em o Hobbit: An Unexpected Journey (Uma Jornada Inesperada).

A historia nos mostra um hobbit como qualquer outro chamado Bilbo Bolseiro (este que viria a ser o tio de Frodo na historia que se passa 60 anos depois), ele é preguiçoso, pacífico, alegre e satisfeito com sua vidinha confortável no Condado. Isso até que Gandalf o Mago-Cinzento lhe faz uma visitinha e o convida para uma aventura, da qual Bilbo claramente faz questão de não participar. Depois de algumas desculpas desajeitadas, o hobbit consegue despistar Gandalf e torce para que o mago não o procure mais, não sabendo ele que sua porta fora marcada com um sinal mágico.
Naquela noite Bilbo começa a receber a visita inesperada de alguns anões que logo formam um enorme grupo de 12 e também uma inusitada aparição de Gandalf (o curioso é que na historia do livro Gandalf se auto-convida para um chá da tarde na toca de Bilbo, mas não comenta nada sobre os anões, neste filme ele entra de penetra). Os anões se esbanjam de comida, cantam, contam piadas e por fim arrumam a louça, é quando o mais importante deles bate na porta. Thorin Escudo de Carvalho é conhecido como Rei Sob a Montanha, mesmo que a montanha tenha pertencido ao seu pai até ser morto pelo último dos grades Dragões-de-fogo Smaug, a criatura cobiçava o ouro e assim massacrou vários anões para poder invadir seu reino e se enterrar na pilha de tesouro. Thorin precisou reinar com o que sobrou de seu povo em outro lugar, mas não se esqueceu de toda a glória que sua grande montanha (agora chamada de Montanha Solitária) empregava aos anões, tendo em mente sempre recuperar seu antigo lar. Depois de ouvir uma boa parte da história daqueles anões, Bilbo logo percebe que eles estão pretendendo tomar de volta a Montanha Solitária de Smaug e pra isso precisam de um ladrão... isso mesmo... Gandalf indicou o próprio Bilbo como Ladino para a jornada, agora cabe ao hobbit decidir se vai recusar a proposta e continuar sua vidinha pacata no Condado ou aceitar partir em uma viagem mortal em busca de ouro e glória.

Começando a análise com a aparência do filme.
Uma das primeiras coisas que pude notar quando o filme começa a nos apresentar o Bilbo Bolseiro de 60 anos atrás é que toda a atmosfera do filme está mais leve e ágil do que em O Senhor dos Anéis. Nada de diálogos longos e complexos, apenas um bom humor coerente e cenas ágeis. Todo aquele clima tenso que já pairava no primeiro filme da primeira trilogia foi abandonado, afinal de contas o mundo AINDA não corre perigo. Peter Jackson sabe muito bem como cada filme deve parecer, como O Hobbit é um livro para crianças seria realmente estranho se ele tivesse feito um filme todo dramático e carrancudo, mas por incrível que pareça, tudo ficou muito equilibrado, as cenas tensas são realmente tensas, a ação é simplesmente maravilhosa, o filme roda a 48 quadros por segundo, o que no início faz parecer que está acelerado mas quando nos acostumamos tudo parece mágico e vivo até demais da conta. O humor é realmente engraçado e simples, muitas vezes um pouco negro mas não tira o realismo e veracidade de toda a Terra Média, aqui mostrada com muito mais detalhes e variedade que nos três filmes anteriores.

Talvez por se tratar de uma aventura que seja pelo menos simples no início, todo o filme me remeteu a uma clássica jornada de RPG, mais especificamente D&D, as criaturas da Terra Média são mostradas com mais importância agora, todo o design delas foi refeito, um grande exemplo disso são os orcs que aparentam ser menos nojentos e deformados e mais semelhantes aos monstros clássicos dos livros, os Wargs não se parecem mais com hienas, agora lembram uma mistura de lobo, rato e gato e toda a arquitetura das cidades foi refeita. Quando vemos a cena um pouco antes da invasão do dragão fica claro o quanto todo o ar de O Hobbit é diferente de O.S.D.A.
E eu sei que é irritante ficar comparando um com o outro, mas nesse caso acho que estas comparações são até bem vindas, afinal de contas estou falando de filmes produzidos pelo mesmo diretor, não é como comparar GTA com Sleeping Dogs.

As adaptações também foram um ponto muito importante para a versão cinematográfica, quem leu o livro sabe que mesmo ele sendo pequeno e destinado á um público infantil ainda conta com partes maçantes e descrições cansativas sobre coisas e lugares dos quais não queremos saber como são. Desta vez a variedade de cenários é bem maior, e olha que este é apenas o primeiro filme de uma nova trilogia, quem assistiu e se maravilhou com os sets pode esperar muito mais dos próximos dois.
Um detalhe curioso no livro é que a maioria dos animais presentes falam. Quando eu estava indo para o cinema comecei a pensar nessa possibilidade na versão cinematográfica e logo constei que seria ridículo, e para o meu alívio... os animais não falam! Imaginem só seria como assistir Nárnia na Terra Média. SPOILER Eu só espero ouvir a voz do rei das Águias no próximo SPOILER.

Quanto aos efeitos sonoros e trilha do filme... bom como já era de se esperar eles são fascinantes, a canção Misty Mountains Cold adaptada diretamente do livro causa arrepios insanos e podemos ouvir algumas adaptações clássicas para nos arrepiar ainda mais, SPOILER como quando Bilbo encontra o Um Anel na caverna do Gollum e toca por alguns segundos o tema One Ring to Rule Them All SPOILER. Os sons ambientes são maravilhosos e assim como o resto do filme beiram o hiper-realismo.

De alguma forma que não consigo explicar, O Hobbit me prendeu a atenção como poucos filmes antes conseguiram, eu não me senti cansado, desconfortável e muito menos entediado em momento algum, e o fato de ser apenas uma de três partes que ainda estão por vir mostra o quanto a aventura de Bilbo foi épica (coisa que só conseguimos perceber com clareza além da metade do livro).
Tolkien escreveu O Hobbit com muita simplicidade e esta simplicidade também foi passada para o filme, eu sempre percebi que quanto mais ele descrevia os detalhes do cenário menos eu realmente conseguia imaginar a grandeza deles, quando assisti A Sociedade do Anel, me impressionei com os efeitos visuais. Pois bem, acabei me impressionando de novo, pois tudo é exatamente diferente do que imaginei ao ler o livro (e começo a pensar que se Tolkien ainda estivesse vivo ia se impressionar também... mesmo ele sendo um fresco... fãs de Senhor dos Anéis me odiando em 3...2...1...) e mesmo assim tem aquele ar de fim-de-tarde. Tudo, mas absolutamente TUDO é rápido, fácil de entender e ainda consegue ser épico.
Lembrando que quem for assistir e nunca leu o livro para não esperar nada comprometedor como a trilogia original e nem por isso imaginar o filme como fraco.

Entrando no assunto da dublagem.
A dublagem de O Hobbit (agora eu aproveito e peço desculpas por ter cometido a heresia de assistir um filme como esse dublado, mas como disse antes eu não tive opção) está, por incrível que pareça, muito decente. O maior problema é que algumas vozes simplesmente não combinaram... AS MALDITAS VOZES NÃO COMBINARAM!!!! COMO UM ESTÚDIO DE DUBLAGEM DUBLA UM FILME TÃO ESPERADO E IMPORTANTE COMO ESSE E NÃO TOMAM O TRABALHO DE ENCAIXAR CADA VOZ DIREITO?!!!
OK, não são todos, na verdade apenas Bilbo e Gandalf ficaram estranhos, mas eles são dois dos personagens mais importantes! Sem falar que trocaram muitas vozes SPOILER  um exemplo é Frodo, que aparece no início, assim como o Bilbo velho porque a introdução do filme é uma cena que não aparece em A Sociedade do Anel mas que está presente no livro... então... Frodo teve seu dublador trocado,é uma pena porque antes  ele que tinha a voz do Gohan SPOILER.
Mas a verdade é que isso aconteceu porque O Hobbit foi dublado no Rio de Janeiro enquanto a trilogia do anel foi dublada em São Paulo, então não podemos exigir que seja a mesma equipe.
De qualquer forma, acredito que Alexandre Moreno não foi uma boa escolha para fazer a voz de Bilbo.
Hã? Por que?
PORQUE ELE FAZ A VOZ DO ADAM SANDLER!
O cara é um tremendo dublador, mas a voz dele é tão conhecida que acabou deixando o Bilbo marcado, se você fecha os olhos durante a sessão, parece que está assistindo Dois Homens e Meio (kkkkkkkk um Hobbit e 13 anões haushaushhaush ¬ ¬ chega de internet por hoje).
As canções foram dubladas. Nada mais a declarar.

Então, minhas declarações finais sobre este filme. Como se pudessem ser diferentes. Assistam é o que eu digo, a sessão deve estar legendada, em 3D e com qualidade IMAX, se tudo estiver de acordo, a experiência será tão fenomenal quanto AVATAR, e para os fãs de Tolkien com certeza vai ser melhor que este.
O filme é praticamente um tour pela Terra Média, mais leve, mais descontraído mostrando um lado mais D&D do qual o cinema nunca fez funcionar direito antes.

Trailer do filme logo abaixo, até mais meus caros.



















26 de out. de 2012

Em Terra de Deuses, Humanos São Porcos

Decidi falar de um dos melhores trabalhos do Hayao Miyazaki hoje, este que provavelmente é o filme mais conhecido dele.

                                            SEN TO CHIHIRO NO KAMIKAKUSHI


A Viagem de Chihiro, como ficou conhecido por aqui e em Portugal ou Spirited Away (meu favorito) na versão em inglês, foi lançado no Japão em 2001 e ganhou o Oscar de melhor animação em 2003, e isso não é atoa, já que quando o assunto é animação o estúdio Ghibli simplesmente faz o melhor pra época.

Hayao Miyazaki ficou famoso por conseguir criar histórias que não precisavam contar com um apelo filosófico totalmente dramático para nos fazer crescer junto com seus personagens, conseguimos gostar deles apenas tendo uma pequena demonstração de seu caráter realista. O crescimento sempre faz parte de seus filmes e mangás também, tirando o tão aclamado Princesa Mononoke (do qual eu não consegui gostar) onde os personagens estão lá apenas para dar sentido a lição de moral do filme. Chihiro é mais um grande filme que nos leva a crescer junto com a protagonista.

Vamos a historia
Chihiro é uma guria de dez anos pessimista e medrosa que está se mudando contra a vontade com seus pais para uma nova cidade no interior.
Diferente da filha, os pais Akio e Yuko são pessoas empolgadas e extrovertidas, tendo que parar o carro ao chegar em frente a um túnel cuja entrada é bloqueada pela estátua de uma entidade oriental, a família segue a pé pelo escuro lugar até alcançar o que parece ser o interior de uma igreja abandonada, Chihiro está morrendo de medo e seus pais precisam convencê-la a continuar em frente com frequência. Além da construção a família se depara com um belo campo cheio de pedras salientes e casas abandonadas, e mesmo com a bela visão, a menina continua pessimista quanto ao lugar. Por fim, além de uma escadaria o que surge a diante é uma pequena vila feita do modo mais tradicional oriental possível, tudo no lugar parece intocado, mesmo que ainda deserto o tempo simplesmente não chegou lá.
Curiosamente todas as casas ao redor parecem restaurantes, com excessão do grande prédio que se estende na outra extremidade da rua. Os pais de Chihiro ficam encantados quando descobrem que em uma bancada próximo a eles tem um maravilhoso banquete, sem pensar muito a respeito da situação, os dois começam a comer com o pretexto de que vão pagar depois que os donos voltarem. Chateada com o comportamento dos pais, Chihiro se distancia deles e vai em direção ao grande prédio, quando ela está se aproximando da entrada um garoto surge apressado em sua direção gritando que ela deve deixar a cidadezinha antes do anoitecer, o que aparentemente será em poucos minutos.
Chihiro volta apressada para perto de seus pais apenas para descobrir, horrorizada, que eles se tornaram enormes porcos.
Depois de fugir do local, e tentar voltar pelo caminho por onde veio, a menina fica confusa ao ver que todo o lugar por onde ela e seus pais andaram pela tarde esta coberto de água, neste momento uma balsa trazendo a primeira leva de espíritos aporta na "ilha" e Chihiro mergulha em um pesadelo do qual nunca deveria estar vivendo.
Voltando para perto da cidade, Chihiro é encontrada pelo mesmo rapaz que a mandou fugir do lugar, ele se apresenta a ela como Haku e explica que aquele prédio grande no final da cidade é uma Casa de Banhos para deuses gerenciada por uma poderosa feiticeira chamada Yubaba, ela é tirana e não vai admitir a presença de Chihiro naquele lugar e para que ela consiga viver em paz ali antes de tudo precisa conseguir um emprego, desta forma nem mesmo Yubaba poderá fazer algum mal a ela.
Seguindo os conselhos de Haku, Chihiro ruma em direção a uma monstruosa escadaria ao ar livre que desce para os aposentos de Kamaji, uma entidade que tem a forma de um velho com quatro longos braços que podem se esticar a longas distancias, Kamaji trabalha coordenando uma fornalha que precisa ser aquecida a noite inteira para que a água dos clientes da casa de banhos fique sempre quentinha, ele também é responsável pelas válvulas de água, puxando as cordas certas para que as banheiras certas se encham andares acima.
Chihiro insiste para Kamaji lhe arrumar um trabalho, no entanto o velho espírito se recusa a arrumar um lugar para a garota pois todas as vagas estão preenchidas. Neste momento aparece Lin, uma jovem muito semelhante a um ser humano (e diga-se de passagem o mais perto de um que você pode ver nesse filme... além do Haku, é claro), e seguindo as ordens de Kamaji, leva a pequena Chihiro para um encontro com Yubaba.
Uma vez no escritório da velha bruxa, Chihiro começa a perceber o grande preconceito que os humanos sofrem dos seres de outras dimensões, Yubaba simplesmente odeia ela por causa da ação de seus pais, que agora aguardam na fila do abatedouro junto com outros que ousaram comer a comida dos deuses. Depois de falar demais (a maior especialidade de Chihiro), a velha perde a paciência rapidamente, pois tem que cuidar de um bebê gigante que nunca deve sair de seu quarto. Dessa forma, ai invés de ser castigada, a menina recebe um emprego de serviçal, e assim como todas as almas que trabalham para Yubaba, ela tem seu nome tomado pela feiticeira, que simplesmente guarda algumas sílabas para si e deixa apenas uma restante: "Sen" (as letras mudam seu som dependendo da ordem de colocação no dialeto japonês).
Sem se lembrar de seu verdadeiro nome, Chihiro, ou melhor... Sen perde sua liberdade e simplesmente passa a trabalhar para Yubaba, ela sofre com o preconceito das entidades que precisam dividir o ambiente com ela e aos poucos percebe que sua vida está acabada. Acabada até Haku voltar para ajudá-la, dizendo-lhe seu verdadeiro nome e a fazendo se lembrar que quem realmente é, desta forma Chihiro se vê livre do encanto da dona da casa de banhos.
Decidida a trazer seus pais de volta a forma humana e sair daquela dimensão, a garota encara problemas do qual jamais sonhou ter, adquire uma coragem além das próprias expectativas e principalmente, aprende a se preocupar com quem está ao seu redor...

É obvil que a historia passa lição de moral, ela fica tão na cara que nem precisa ser citada aqui. Mas como muitos sabem, Miyazaki não faz nenhum trabalho que não tente te apontar alguma coisa até o final, isso pode ser uma experiencia irritante e desnecessária como Mononoke ou uma bela crítica ao pessoal velho de espírito como no Castelo Andante do Howl (do qual eu já falei sobre). Felizmente o mesmo acontece em A Viagem de Chihiro, que consegue ter um roteiro que se sustenta até o final e nunca abre brechas para quem está vendo começar a questionar profundidade dos personagens.


O filme tem uma fluidez impressionante que não é vista somente na animação, tudo ganhou uma cara própria, a maioria dos cenários se assemelham a arquitetura feudal chinesa mesclada com referências da japonesa e é simplesmente muito bonito. Os personagens são bem construídos e logo de cara podemos perceber que escondem muitos mistérios. E... aproveitando que estou falando destes mistérios, vou fazer uma única crítica negativa ao filme, que é sobre o fato de certos personagens parecerem ter uma relação muito maior com o passado da protagonista e no final simplesmente tudo era muito menos complexo do que se imaginava. (ALERTA DE SPOILER ADIANTE): Os dois maiores exemplos disso são Haku e Sem Rosto. Eu juro que desde quando Haku disse para Chihiro que sentia que a conhecia ha muito tempo mas que não sabia porque e levando em conta o quanto eles se tornam íntimos tão rápido eu pensei que ele era algo como um irmão mais velho da garota que morreu afogado (por conta dos flashes de memória de Chihiro) quando ela era pequena demais para se lembrar de alguma coisa e os pais preferiram esquecer o fato para não sofrerem mais e para que a menina crescesse sem traumas. Mas a verdade é que Haku simplesmente salvou Chihiro de um afogamento quando ela era muito pequena, ela simplesmente caiu em cima dele enquanto ele descansava no fundo do rio na forma de dragão. Com certeza a visão que eu imaginei da historia é bem mais tensa, porém podemos levar em conta que algo do tipo não teria um peso suficiente para ser descartado da trama.(ACABAM OS SPOILERS AQUI)


Uma das coisas que mais me chamou a atenção, de fato foi que nenhum personagem é vilão, isso também acontece em vários outros trabalhos de Miyazaki, porém não de uma forma tão legal quanto essa, no princípio, Haku retrata Yubaba como uma velha terrível e maldosa e diz que Chihiro não deve cair nas mãos dela antes de conseguir um emprego, no entanto é a própria Yubaba quem decide no final das contas colocar a garota pra trabalhar na casa de banhos, é claro que ela faz coisas cruéis com o passar da historia, mas temos que levar em conta que ela é uma entidade com muito provavelmente séculos de existência nas costas, logo seu comportamento não admite falhas eu deslizes e nem sequer podemos cobrar um comportamento humano da parte dela. Mas não apenas Yubaba, como quase todos os personagens da história aparentam ser maus no princípio e com o passar do tempo vamos nos acostumando com eles.

A mudança no comportamento de Chihiro com o desenrolar do filme com certeza é o que mais satisfez o público, claro que de certa forma é um pouco estranho ela virar uma heroína valente de uma hora pra outra sem nem ao menos exitar antes de fazer as primeiras loucuras, mas confesso que é bem legal ver uma menina que até alguns dias tinha medo do escuro caminhar em uma calha velha suspensa á vários metros prestes a se soltar para salvar seu namorado/dragão-coisa-lobo/guardião/feiticeiro de levar um chute direto para o inferno dado por sua patroa... que aparentemente não acha grande coisa o fato de ter um DRAGÃO como servo.

Então é isso meus caros, eu espero que tenham gostado desse post, é meio estranho falar desse filme como se ele fosse novo, mas é a melhor forma de se falar sobre ele, para quem já conhece (que provavelmente é a maioria esmagadora) essa é mais uma análise positiva (claro que positiva, não costumo falar de coisas que não gosto) e para quem não viu fica uma ótima recomendação para um fim-de-semana.

Como de costume, deixo o trailer aqui abaixo:




E agora uma notícia sobre o blog:
O Lucas, que até então tinha desaparecido, mas que voltou recentemente me perguntou se eu gostaria que além das postagem corriqueiras ele fizesse posts com histórias escritas por ele mesmo.
Há um bom tempo atrás eu fiz uma votação aqui apontando algumas coisas que poderiam ser adicionadas ao Guardião, a votação foi um fiasco, mas o que eu quero ressaltar aqui é que entre os tópicos tinha a opção "contos". Então, posso dizer que isso apenas foi adiado.
Para o pessoal que curte uma boa leitura isso pode se tornar um ótimo passatempo, já que as historias serão divididas por capítulos que vão durar quantos posts forem necessários.