Pode ser sorte, mas ultimamente tenho escolhido meus jogos muito bem. Em uma das minhas jogatinas, tive o prazer de jogar um Indie chamado The Cat Lady. Acho não preciso dizer qual será o assunto de hoje, não é?
The Cat Lady é um jogo produzido pela produtora independente Harvester Games, a mesma do jogo Downfall. Este eu nunca joguei, mas é um jogo adventure/horror inteiramente desenhado a mão, parece valer a pena dar uma conferida. Seguindo o mesmo estilo do seu antecessor, The Cat Lady também é um jogo Adventure com elementos de terror. Nele, você está na pele de Susan Ashworth, uma depressiva de quarenta anos que acorda em um tipo de mundo estranho após uma tentativa de suicídio. Esta não tinha ninguém na vida, a não ser por gatos, MUITOS gatos. Neste lugar, Susan encontra o seu cadáver na parte de trás de uma ambulância, o que prova para ela que ela conseguira mesmo se matar. Um pouco depois, enquanto perambulava tentando descobrir que lugar era aquele, ela conhece uma velha que se intitula A Rainha dos Vermes. Esta lhe da uma chance de voltar a vida, se ela aceitar matar alguns psicopatas. (Já dá pra começar a entender o conceito do jogo, certo?) E, para ajudá-la em sua missão, Susan recebe o dom da imortalidade. Aí depende do jogador responder sim ou não (coisa que realmente não importa, porque você acaba tendo que fazer isso do mesmo jeito.) Este tal dom funciona da seguinte forma: Toda a vez que ela "morre", Susan volta pra este mundo estranho e precisa fazer um sacrifício de sangue e alma para sair de lá, não vou explicá-los detalhadamente para não tirar a graça. Assim, Susan volta para o mundo real, que muitas vezes pode parecer que não é tão real assim, e começa sua mórbida missão.
Aliás, morbidez é o que não falta no jogo. Ao longo jogatina, você visita diversos cenários extremamente escuros e tristes, alguns até mesmo perturbadores, mas muito originais e criativos. A campanha deve durar em média de sete horas, não é muito longo, mas não dá aquela sensação de que terminou apressadamente.
A jogabilidade é, na minha opinião, o aspecto mais fraco do jogo. Você usa as setas para de locomover para esquerda ou para direita e enter para selecionar as opções, parece ser simples, mas você acaba se confundindo de vez em quando. Seria melhor mesmo se ele utilizasse apenas o mouse, no bom e velho estilo pont n' click.
Mas o que eu mais gosto mesmo do jogo, além da história que é excelente, é a trilha sonora e a dublagem. Ambas são satisfatoriamente bem feitas, combinando perfeitamente com a atmosfera do jogo. As músicas tem um toque meio jazz e é difícil não querer ouvi-las depois de um tempo após terminar o game. E as vozes, com aquele sotaque britânico charmoso (direto eu repetia algumas falas enquanto jogava xD), complementa ainda mais o universo. Elas sempre soam meio baixas, taciturnas e melancólicas.
Com o que citei acima, dá pra saber que o jogo possui uma ambientação muito pesada, do começo ao fim. Mesmo possuindo elementos de terror, ele não é necessariamente assustador, só possui um sustinho ali, outro aqui e alguns lugares que podem te deixar um pouco desconfortável, mas é isso.
Esqueci de citar que ele possui certas cenas violentas, então eu não aconselho pra quem tem estomago fraco e nem tendencias depressivas (Mesmo possuindo uma mensagem positiva no final).
No fim das contas, The Cat Lady NÃO é um jogo para todos, pois ele possui muitos diálogos (muito bem escritos) e poucas cenas que podem ser consideradas de "ação", ele é um jogo completamente movido pela atmosfera e pela narrativa, então eu recomendo muito pra quem curte um jogo diferente com uma boa história
Como vão todos? Eu estou muito bem, entrei pra uma editora independente de HQs chamada Blue Comix, mas como ainda não dei meus primeiros passos por lá não estou pensando em criar postagens sobre isso por enquanto.
O assunto de hoje é sobre o meu atual filme favorito, este que gera dúvidas na maioria das pessoas que o veem e acima de tudo, consegue ser um dos trabalhos cinematográficos mais inesquecíveis que muitos já assistiram.
Mas afinal de contas, o que é Donnie Darko?
Donnie Darko é um filme de 2001 escrito e dirigido pelo jovem diretor estreante Richard Kelly, que, por causa do marketing raso e a classificação de gênero errada acabou sendo uma decepção nas bilheterias. Até hoje você pode encontrar Donnie Darko na sessão terror em várias locadoras, sendo que o filme se trata de ficção científica.
E isso já nos leva a um ponto interessante sobre esse filme.
Se você assistir ele sem saber o que esperar, existe uma grande chance de terminá-lo sem nem ao menos entender que realmente se trata de uma ficção científica. Mas vamos por partes.
Sinopse:
Em uma cidadezinha chamada Middlesex (é isso mesmo), a população se encontra curiosa e apreensiva com o término da década (a historia se passa em 1988), o que faz com que pessoas conservacionistas pipoquem em todos os cantos, e entre gente chata e gente medíocre existe Donnie Darko, que é simplesmente o jovem mais problemático de Middlesex, tendo problemas psicológicos que podem torná-lo um cabeça-quente de uma hora pra outra, gerar crises de esquizofrenia e um pequeno histórico de crimes contra propriedades privadas.
Donnie não é muito bem visto pelo pessoal da cidade e parece se desentender o tempo todo com sua família, suas notas na escola não são as melhores (mesmo que ele prove ser um gênio em dados momentos) e seus únicos dois amigos são panacas.
No dia 2 de outubro de 1988, enquanto todos dormem, Donnie acorda ao ouvir uma voz misteriosa que o chama para fora de casa, seguindo a ordem, ele se vê em seu jardim de frente para um coelho demoníaco que lhe avisa que o mundo vai acabar dentro de 28 dias, 6 horas 42 minutos e 12 segundos. Na manhã seguinte ele acorda em um campo de Golf com o tempo que lhe resta escrito a canetão em seu braço esquerdo, ao voltar pra casa, Donnie descobre que enquanto esteve sonâmbulo a noite toda uma turbina de avião despencou do céu e aterrissou direto em seu quarto. Donnie Darko foi salvo por uma alucinação, ou será que de alucinação não tinha nada?
A primeira coisa que difere este filme de muitos outros do mesmo gênero, é que você sabe exatamente as mesmas coisas que o protagonista sobre o que está acontecendo ao seu redor, então se a ficha de Donnie ainda não caiu, provavelmente a sua também não. E é comum também chegar o momento em que Donnie descobre o que realmente está acontecendo quanto a profecia e o telespectador ainda está boiando, afinal, nada é explicado diretamente, tendo você mesmo que ligar os fatos e saber o que houve, isso enquanto a sisma de que tudo não passa de ataques de esquizofrenia do personagem fica martelando em sua cabeça.
Quanto aos personagens, eles são fantásticos. Cada um recebe uma hora ou outra um momento importante que define fatos futuros ou apenas reações não esperadas de Donnie
Além do próprio protagonista, podemos criar um grande afeto por alguns outros personagens como Frank (o cara fantasiado de coelho que assombra o Donnie) a namorada de Donnie, Gretchen Ross, a professora de inglês Karen Pomeroy (interpretada pela lindíssima Drew Barrymore), o pai Eddie Darko, a irmã mais velha Elizabeth Darko e a mãe Rose Darko.
Alguns anos depois do lançamento, Donnie Darko ganhou o status de filme cult e nunca mais vai sair deste pedestal bem merecido, mesmo que eu seja contra gente que coloca o filme numa redoma dizendo que ele é perfeito e nunca deve ser profanado, eu apenas concordo que ele é único, simplesmente uma ótima combinação de referências, personagens diferenciados, trilha sonora marcante e uma trama simples que requer tempo e atenção para ser compreendida.
Existem algumas críticas mescladas ao roteiro que em certas horas vem a tona, como a auto-ilusão criada por certas pessoas para disfarçar seus problemas ou seus medos, o próprio conservacionismo que eu já citei lá em cima e as malditas regras de sociedade que definem padrões de beleza e comportamento.
OK, se você ainda não viu o filme, leia somente até essa parte, porque agora eu pretendo escrever um pouco sobre as teorias apresentadas na história, a única recomendação que eu faço é que você procure a versão do diretor, pois é a única que esclarece os eventos ocorridos de forma discreta, e é obvil, não cometa o crime de assistir dublado (se é que existe), filmes assim precisam estar no áudio original para não se perder nada.
Depois volte aqui (principalmente se não entendeu nada) e leia a minha visão da trama (sim, nem todo mundo vai interpretar a mesma coisa).
Deixo aqui um trailer de fã muito bem feito pra encerrar o post básico.
Donnie Darko e física quântica:
Na física quântica existem centenas de teorias e especulações sobre diversos fenômenos presenciados ou apenas "possíveis" de serem reais, um deles são os Wormholes ou Buracos de Minhoca, onde se pode usá-los para cortar um atalho entre dimensões, espaço-tempo ao apenas viajar no tempo. Os Buracos de Minhoca são extremamente instáveis e não conseguem suportar um quantidade significativa de massa, o que indica que a única forma de cruzá-los é com um objeto que quebre a velocidade da luz.
No filme existe um livro misterioso que Donnie ganha de seu professor de física chamado A Filosofia da Viagem no Tempo, este livro que foi escrito por uma mulher que todos acreditam já estar louca fala sobre um estranho fenômeno chamado de Universo Tangente.
Agora entra uma lenda bem sinistra de que este livro realmente foi escrito, e que Donnie Darko apenas foi inspirado nele. Eu apenas acho que tudo não passa de uma mera história. As paginas do livro que foram mostradas na versão do diretor podem ser encontradas na internet para serem lidas a qualquer momento, no entanto apenas as páginas que foram mostradas no filme, o que comprova que não passa de um complemento para o entendimento dele.
Explicando o básico da trama:
A principal coisa que você conclui depois que assiste ao filme é que realmente houve uma viagem no tempo, a cenas no final em que Donnie observa o Buraco de Minhoca se formando e depois desprende a turbina comprovam isso, então sabemos que o responsável pelo acidente foi o próprio Donnie.
Mas não foi ele que mandou ela na linha temporal em que a historia começa.... então, quem seria o responsável?
O responsável nunca foi esclarecido, provavelmente Deus, o próprio tempo ou qualquer outra força cósmica que quisesse zuar a realidade.
Mas então, o que aconteceu para que Donnie precisasse se responsabilizar pelo acidente?
Bom, imagine que exista uma linha do tempo em que as coisas praticamente são traçadas e nada acontece por acaso...
Linha do tempo: _______________________________________
Mas então, alguma coisa interfere nessa linha natural, essa coisa precisa ser um objeto metálico que não pertence ao universo em questão (nesse caso a turbina de avião, por isso ninguém sabia de qual avião ela se desprendeu, afinal de contas era um avião que só iria decolar 28 dias depois). Esses objetos são chamados de "Artefatos"
E o resultado é isso...
Linha do tempo:__________ _______ ____________________
A parte onde a linha do tempo se fragmenta é onde o Artefato caiu e a outra parte fragmentada é o tempo de onde o Artefato veio, quando isso acontece, o destino não pode mais seguir seu curso, pois alguma coisa inexplicada aconteceu, é como se você estivesse jogando Mario Bross e de repente o Sonic aparecesse como personagem jogável, buga tudo, é algo inadmissível.
Então a linha do tempo se transforma em um Universo Tangente...
_______
Linha do tempo:__________
O Universo Tangente surge como um modo de emergência, e se o problema com o Artefato não for resolvido até o dia certo a linha do tempo se choca com ela mesma e destrói toda a existência. ^ ^
Para corrigir o erro, um Receptor Vivo (Donnie) é escolhido, este deve ser guiado de forma precisa até o dia certo para que esteja no momento certo e corrija o problema, para isso ele recebe algumas habilidades chamadas no livro de poderes quadrimensionais que são:
Manipulação de água (inundar a escola)
Manipulação de fogo (queimar a casa do molestador de garotinhas)
Força sobrenatural (quebrar um cano de água resistente e depois cravar um machado na cabeça de uma estátua de bronze maciça)
Manipulação da mente (não sei exatamente onde isso entrou, mas acho que se relaciona ao comportamento dele durante a palestra)
Tele cinese (não parece mas foi ele quem separou a turbina do avião no final)
O Receptor Vivo também recebe a ajuda de alguém que morreu no Universo Tangente estes são os Manipulados Mortos, nesse caso é o Frank, a Gretchen Ross bem que poderia ser uma, mas ela estava viva em todos os momentos do filme, lembre-se que existia um Frank vivo também, sabe-se lá onde foi parar o espírito da namorada do Donnie, talvez o Frank tenha sido mais do que o necessário.
O Manipulado Morto tem a missão de controlar o Receptor Vivo em seus sonhos para fazê-lo chegar ao seu destino. Lembre-se que todas as cagadas que Donnie fez ele estava recebendo ordens de Frank.
A cena do atropelamento e do tiro no olho nada mais são do que uma armadilha de segurança, o que definiu de vez as atitudes finais de Donnie, pois com isso ele não tinha mais escolha a não ser resolver o problema (afinal de contas o que mais ele podia perder?).
Os Manipulados Vivos cumprem seu papel como pessoas convenientes em momentos convenientes, geralmente dão dicas importantes e agem até mesmo de forma inesperada, o maior exemplo foi quando a professora do Donnie escreveu Cellar Door na lousa antes de sair da escola para nunca mais voltar, a professora de educação física megera e os outros personagens que faziam parte do conselho estudantil também traçaram rotas importantes para que Donnie seguisse.
Curioso como aos poucos em que ele vai lendo o livro e entendendo o que estava acontecendo, seu medo de estar em um universo "bugado" com pessoas controladas vai se tornando um terror profundo que, provavelmente fez a maior parte de nós sentirmos muita pena dele.
Quando o Universo Tangente é consertado, as pessoas que se envolveram acabam tendo alguns sonhos que se relacionam ao mundo paralelo que acabou de se extinguir (sim, depois que os problemas são resolvidos o Universo Tangente não precisa mais existir, pois a linha do tempo agora segue seu curso) isso causa remorso na maioria e tristeza em outros, pois o destino sempre troca a vida de alguém pela ordem da natureza. (Isso nos faz pensar naquela pessoa que morava umas três casas ao lado da nossa, que morreu em algum acidente e que não ligávamos tanto, mas que por algum motivo sentimos uma certa culpa ou mesmo dor por sua morte, vai saber se ela não salvou o mundo e você agiu que nem babaca pra forçá-la a cumprir sua meta, como tudo foi corrigido, você nunca saberá...).
Depois de tudo o que escrevi, ainda é possível que eu esteja errado em várias ou todas essas coisas, fiquei sabendo que o diretor decidiu explicar o filme há um tempo atrás, mas eu prefiro não procurar pois é muito bom tentar achar a sua lógica para Donnie Darko, e, ainda considero um erro ter que explicar o próprio trabalho.
Há uma possibilidade de que alguns personagens não sejam o que foi mostrado no Universo Tangente, dois bons exemplos são Gretchen e o palestrante do qual eu não lembro o nome, Gretchen poderia ter na verdade, uma família normal e o palestrante poderia ser muito bem um cara decente.
Então, eu acho que isso é tudo, espero que tenha gostado e que algumas dúvidas (pelo menos quanto ao Universo Tangente) tenham sido esclarecidas.
Essa postagem está a muito tempo inacabada aqui nos rascunhos, eu finalmente criei coragem pra finalizar isso e publicar.
Quem conhece Kick Ass? A famosa revista em quadrinhos de Mark Millar e John Romita Jr. que conta de uma forma cartunesca e exagerada como seria, de fato o nosso mundo com "super-heróis". Esse artigo será exatamente para falar tanto da HQ original quanto do filme que estreou em 2010 e provavelmente destacar algumas diferenças, portanto esteja avisado que vão haver spoilers, leia somente se pelo menos já tenha assistido o filme e não se importa de saber as diferenças.
Vamos ao enredo:
Dave Lizewski é um desses caras que não consegue se destacar em absolutamente nada em seu colégio, sendo ignorado pela maioria e tendo dois imbecis como melhores amigos. O único ponto de escape de Dave, assim como o de muitos adolescentes de hoje são os jogos online, sites de pornografia e acima de tudo revistas em quadrinhos.
Quando Dave começa a se questionar para seus amigos sobre o porquê de ninguém antes ter tentado ser um super-herói de verdade mesmo com tamanha influência logo é censurado e tentam convence-lo de que está dizendo besteiras.
Motivado então a se tornar o primeiro super-herói de verdade, Dave compra uma roupa de mergulhador na internet e decide sair em vigília.
Em sua primeira tentativa de combater o crime depois de semanas é tremendamente frustrado quando recebe uma facada no pulmão e logo depois é atropelado, quebrando assim quase todos os ossos do corpo.
Dave consegue se livrar da roupa (não me pergunte como, isso é simplesmente impossível quando se tem o corpo moído e quase nenhum sangue sobrando) e é encontrado nu pelos para-médicos.
Seis meses depois, agora quase totalmente recuperado e com placas de metal implantadas por todo o corpo, Dave veste novamente sua fantasia e volta para as ruas. Desta vez arruma briga com três grandalhões que estavam prestes a surrar um sujeito que aparentemente devia alguma coisa, nesse momento várias pessoas se aglomeram pra ver a briga, alguém filma, manda o vídeo para o You Tube, e a mais nova celebridade de Nova York surge: o super-herói Kick Ass.
OK, o roteiro é bem maluco não é? Mas soa bem realista em certos momentos, apesar de que nada, de fato precisar ser levado a sério em Kick Ass.
Toda a HQ consegue se destacar das demais principalmente pelo fato de que ela soa crua, não passa nenhum tipo de glamour relacionado aos heróis que conhecemos e quanto mais lemos mais temos a impressão de que Dave está se atolando na merda.
Eu começo a suspeitar de que HQs americanas para maiores, como esta não utilizam de Onomatopeias, pois eu comentei algo parecido na postagem sobre Watchmen.
Os desenhos de Kick Ass são bem cartunescos, muitas vezes chegam a ser engraçados, com alguns personagens que tem a cabeça desproporcional ao corpo, no entanto todas as ilustrações são bem bonitas, algumas vezes o sangue (também desproporcional) lembra suco de tomate.
A ambientização é realmente muito bem feita, temos as diferenças entre as áreas normais e as mais perigosas de Nova York, as pessoas parecem ter um certo grau de loucura e como de costume nesses tipos de trabalhos mais "hardcore" temos uma estranha impressão de que o mundo parece "sujo demais".
Em 2010 Matthew Vaughn dirigiu o longa metragem que popularizou ainda mais o herói meia-boca, criando com fidelidade várias cenas clássicas da história em quadrinhos e contando com um elenco competente, o filme Kick Ass consegue ser melhor que seu produto original em vários aspectos, mesmo não apresentando toda a "sujeira" que os quadrinhos mostram.
OK, a intenção do original nunca foi ser sério, e isso o filme com certeza não conseguiu se igualar, enquanto o Dave dos quadrinhos é um nerd com alguns parafusos a menos, no filme ele tem toda a iniciativa para se tornar um herói de verdade, menos os poderes. E, sinceramente, eu gostei bastante assim.
Quando se adapta qualquer tipo de mídia, é impossível fazer algo que seja idêntico, e nesse ponto muitos diretores fracassam porque não tem a menor ideia de como estabelecer um equilíbrio que faça seus filmes funcionarem sem a mídia original ou simplesmente criam coisas completamente fora do universo que deveriam estar representando. O filme consegue ter uma quantidade satisfatória de personagens carismáticos que servem muito bem a trama adaptada.
Mas agora.... SPOILER que droga de cena foi aquela do Jetpack? Kick Ass de fato age como um herói no final do filme, mas aquilo soa como um super-herói, e a grande jogada da série de revistas sempre foi o fato de que não importava o que ele e os outros personagens fizessem, eles não eram super-heróis de verdade e isso criava um certo choque entre realidade fictícia e a nossa realidade. E isso fo me faz pensar que a parte final do acerto de contas não precisaria de uma mochila a jato com metralhadoras e nem o Kick Ass MATANDO uma pessoa com um lança mísseis.SPOILER.
A HQ teve uma sequencia chamada simplesmente de Kick Ass 2, nela os assuntos inacabados da primeira parte finalmente deveriam se esclarecer, e... ahhh.... caramba! É uma confusão do começo ao fim, se você pretende ler a segunda parte depois da primeira, deixe de lado seu senso de realidade, moral e lógica, porque Kick Ass 2 não tem nada disso e ainda consegue ser legal, já que é uma surpresa (não exatamente feliz) a cada volume. Duas famosas Hqs que se passam no mesmo mundo (e estilo) de Kick Ass foram lançadas por Mark Millar que são Nemesis e Hit Girl, sendo essa segunda um epílogo para um dos maiores personagens de Kick Ass que não teve um final "justo" na segunda HQ.
E ainda por cima este ano (2013 caso você seja do futuro) vamos ter a segunda HQ adaptada para o cinema. Logicamente com mudanças bem mais drásticas da obra original, e provavelmente com apenas 2/10 do banho de sangue que existe na versão em quadrinhos. Mesmo assim, eu espero um grande filme.
Enfim, eu deixei aqui minhas duas impressões sobre HQ e filme. Se você não conhece nenhum dos dois fica então minha dica de leitura ou filme de fim-de-semana, pois ambos servem apenas para entretenimento e sem nenhuma mensagem forte no final, mesmo assim são trabalhos que nunca saem de nossas cabeças depois que conhecemos.
Quanto a próxima postagem:
Graças a postagem sobre criaturas macabras do Lucas eu conheci o Frank, e Frank me apresentou Donnie Darko, e da próxima vez eu vou apresentar Donnie Darko a vocês.
Olá leitores! Como vão todos? Por favor não abandonem o blog (ou abandonem, desde que deem uma olhadinha toda semana), eu não estou morto, mas estou dedicando todo o meu tempo aos meus desenhos, e Tale of the Grim Reaper só não foi parar nas mãos de um editor ainda porque a tradução para o japonês está demorando muito pra sair. Eu estou com uma certa falta de concentração pra escrever qualquer coisa que não seja uma história, mas decidi que não quero deixar o Guardião por mais tempo sem nada novo e então vou fazer essa análise sobre um mangá pouco conhecido que simplesmente é..... ..... FODA! (e sim, eu estou falando palavrões nessa postagem, eu não acho que um papai de família moralista leia isso, então...) .
Onepunch Man é um web-mangá escrito por um autor que usa o pseudônimo de ONE e trabalhado pelo fabuloso desenhista Yuusuke Murata.
O enredo trata-se de uma paródia com estes mangás\tokusatsus de luta, onde um monstro invade uma cidade a cada capítulo e os heróis precisam dar um jeito de detê-lo, o protagonista é o herói Onepunch-Man (Saitama), que consegue poderes semelhantes ao de um deus apenas fazendo um treinamento intensivo que faz com que todo o seu cabelo caia (?), o problema de tudo isto é que ele não vê a menor graça em matar inimigos com tanta facilidade, e eis que uma batalha intensa com um monstro mutante com poderes de destruição em massa acaba se tornando uma piada que faz com que você gargalhe enquanto arregale os olhos com as demonstrações de técnicas clichês usadas. No final, todos os personagens que surgem, por mais dramáticos ou determinados que pareçam ser uma hora ou outra acabam virando motivos de risadas ou de batalhas épicas.
Mas o que tem em Onepunch-Man que o torna tão bom, já que ele praticamente inteiro é feito de clichês?
Bom.... já que o mangá é de paródia, os clichês são muito bem-vindos, sem falar que esse negócio de matar com um soco só é novidade.
Uma vez que você começa a ler não consegue parar mais, os quadrinhos são desenhados de um jeito que fazem parecer um anime, tanto que existem cenas inteiras sem nenhuma fala, apenas com a sequência de golpes passo-a-passo, é quase possível vê-las em movimento, o que me leva a falar da arte de Murata.
Mas antes preste atenção na sequência aí de baixo, é uma cena do treinamento entre o androide Genos e seu "professor" Onepunch-Man, ela vai ser loooooonga, mas vale a pena.
Viu só? Qual foi sua reação? Parecia que eles estavam mesmo em movimento não é?
Esta sensação surge em vários momentos da história e este é o primeiro mangá que que eu conheço que traz essa perspectiva tão intensa e bem trabalhada.
Eu já falei da história leve, divertida e viciante feita pelo ONE. E agora vou falar dos desenhos.
Yuusuke Murata teve o seu tempo de ajudante do Takeshi Obata (Death Note), e isso explica os cabelos por camadas sobrepostas que ele desenha e a anatomia bem distribuída dos seus personagens, é o criador de uma série sobre futebol-americano chamada Eyeshield 21 e eu soube que ele já criou chefes de fases pra um dos jogos do Megaman, e isso deve explicar o visual de inimigos como ela:
É curioso ver que Eyeshied 21 não chega a ser tão bem desenhado quanto Onepunch-Man, pra falar a verdade nem parece ser feito pelo mesmo cara, pois a evolução nos desenhos é assustadora. Desde os cenários até os personagens (não incluindo propositalmente o Saitama) são carregados de detalhes e texturas realistas.
Então, acredito que a postagem vá ficando por aqui. Eu sei que está curta, com mais imagens do que qualquer outra coisa, mas não tem muito o que falar sobre Onepunch-Man, geralmente eu faço críticas mais bem embasadas, mas este é um mangá paródia que visa o puro entretenimento (como se esse não fosse o dever de quase todos os quadrinhos), portanto tudo o que posso dizer agora é que você LEIA porque com certeza vai se divertir, seja rindo ou se impressionando.
A próxima postagem terá uma abordagem mais ampla, e será sobre Kick Ass. Prometo que não vou levar um mês pra publicá-la.
Enquanto eu tomo coragem para fazer um post sobre The World Ends With You decidi fazer algo diferente... de novo.
Pois bem, a bola da vez são os meus monstros favoritos na ficção. Vou citar alguns que tenho que admitir que possuo um estranho fascínio acerca. Ou pelo o fato de serem criativos e originais ou simplesmente por serem bizarros e assustadores (aspecto que deveria ser o mais levado em conta).
Vou começar com uma criatura que não é necessariamente um monstro (Não vou explicar o que é aqui porque é muito complicado e eu daria um spoiler muito grande se explicasse), este é Frank. O coelho gigante do filme Donnie Darko que é um dos meus filmes favoritos.
Não, o filme não é de terror, mas não pude evitar de sentir um certo calafrio na primeira vez que vi Frank. Ele parado, olhando, sem dizer nada... Quero dizer, olha só para ele!
Mas é legal saber que ele na verdade não é um vilão e chega até ajudar o protagonista. Aliás, recomendo o filme.
Enfim, continuando...
Eu gosto bastante de Scooby Doo (Tirando aquele que tem o Scooby Loo), pra mim é um dos melhores desenhos da Hanna-Barbera.
Tá, tudo bem, os episódios repetiam sempre a mesma fórmula e a Daphne era uma inútil, mas eu gostava de acompanhar os episódios para ver como mistério seria resolvido e principalmente ver qual seria o monstro que iria botar o Salsicha e o Scooby pra correr. Admito que os monstros de Scooby Doo não são assustadores (Apesar de a caveira do espaço ter uma risada um tanto desconfortante), mas são bem criativos. Eu sei que não é muito justo colocar mais de um monstro, mas vou colocar aqui os que eu mais gostava quando criança.
Próximo.
Eu sei que eu já fiz um post sobre o lado negro da Disney, então não vou colocar o Horned King aqui, mas o próximo da lista vai ser um que eu esqueci de falar sobre no citado post. (Mensão honrosa também para a forma de dragão de Malificent e a baleia Monstro do Pinnochio)
Chernabog para mim ganha fácil como o demônio mais assustador da Disney. Seu passatempo favorito é invocar almas penadas apenas para matá-las novamente com suas chamas infernais... Fantasia é um filme para crianças... Claro Disney... Claro... Mas tenho que admitir que é um dos filmes mais "tira-fôlegos" já feitos, nem vou começar a falar da animação e da trilha sonora.
Eu também já fiz um post sobre Coragem o cão covarde faz um tempo e tenho a impressão que já mencionei o próximo competidor da lista (estou com preguiça de me certificar).
Os fantasmas do moinho apareciam quando o moinho que ficava ao lado da casa de Coragem parava de girar, pois estava amaldiçoado (Não lembro como era essa maldição). Mas o que mais me assustava não eram os monstros em si, mas sim o ambiente e a música de fundo que tocava quando eles apareciam. Lembro que a música de terror tocava quando o moinho parava e de como o céu ficava vermelho, tudo aquilo proporcionou que Os Vândalos do Moinho fosse o episódio mais assustador de Coragem, pelo menos nas minha opinião.
Bom, vamos passar para o videogame agora. É claro que não poderia ficar de fora!
O Pyramid Head para mim é e provavelmente sempre será o monstro mais Badass de toda história de Survival Horrors. Só pelo fato de não podermos ver o rosto dele e ele carregar uma lâmina maior que ele mesmo já dá arrepios. Pyramid aparece em Silent Hill 2 (lindo, lindo) e seu passatempo favorito é estuprar... Sem zuera.
O próximo é um personagem do meu conto de terror favorito. Como tem filme também você não pode chorar dizendo que eu não coloquei nada do Tim Burton nessa lista.
A lenda do cavaleiro sem cabeça (The Legend of Sleepy Hollow) foi um conto escrito por Washington Irving publicada pela primeira vez em 1820. A história conta sobre a maldição de Sleepy Hollow, um bosque localizado perto de uma pequena cidade. Este bosque é famoso por ser extremamente silencioso (por isso tem Sleepy no nome) e é amaldiçoado pelo famoso espírito do cavaleiro sem cabeça, que teve sua cabeça arrancada por uma bola de canhão durante uma batalha na Guerra Revolucionária Americana e que vaga pelo bosque de madrugada procurando por sua cabeça. Tim Burton deu a vida a história no longa-metragem de 1999 estrelado por Johnny Depp (novidade). Pronto, aí está seu Tim Burton.
Como acho que isso aqui já está ficando longo e já gastei uma quantidade razoável de tempo, vou dizer logo o primeiro lugar. Senhoras e senhores, sem mais delongas eu dou a vocês
Ctulhu!!!
Ctulhu exala caos, destruição e terror. Um ser maligno tão antigo que é dito ter surgido ao mesmo tempo que o universo e até mesmo governar o mesmo.
Ctulhu de longe é o ser mais colossal e grandioso e aterrorizador que já ameaçou o ciclo de vida na Terra mais do que qualquer Godzilla conseguiu. Tão maligno que apenas saber de sua existência pode significar danação.
Deixando a veneração de lado, Ctulhu foi criado pelo mestre H.P Lovecraft no conto The Call Of Ctulhu escrito em 1926. O conto narra as descobertas de um cara sobre o tal monstro em umas pesquisas deixadas de herança pelo seu tio-avô.
Ctulhu mora na cidade de pedra R'lyeh, localizada em um ponto distante no meio do oceano pacífico e perturbá-lo do seu sonho pode não ser uma boa ideia. Johansen, o navegado que o diga.
O que mais me assusta em monstros que habitam os oceanos é o fato de eles viverem em um local que te deixa completamente exposto e vulnerável. No meio do mar, você não pode pedir por socorro e praticamente sua sobrevivência depende da boa vontade ou da fome da criatura que está a sua frente.
Fun Fact: Eu ouvi falar que existe cultos ao Ctulhu até hoje, mas não posso afirmar a veracidade do boato.
"In his house at R'lyeh dead Ctulhu waits dreaming"
Anyway, acho que o post vai ficando por aqui, espero que tenham gostado e até a próxima!
Bom, antes de ir direto ao assunto, acho que preciso falar sobre algumas coisas antes.
Existe um fórum/site muito conhecido chamado 4Chan, nele pessoas do mundo todo estão livres para postarem seus desenhos, se apresentarem com nomes falsos para debater sobre exatamente tudo o que quiserem e também para contar histórias como fan-fics e outras coisas do tipo.
Geralmente o material que se retira do 4Chan não pode ser considerado uma coisa saudável na maior parte do tempo, afinal de contas pessoas que contam com o anonimato geralmente demonstram seus lados mais obscuros, no entanto até mesmo em um lugar cheio de más intenções como o 4Chan coisas realmente boas e únicas podem aparecer, como é o caso de Katawa Shoujo.
No japão existe um tipo específico de jogo que foi batizado de Visual Novels, são jogos em que praticamente o jogador assiste mais do que qualquer outra coisa, fazendo decisões que mudam o rumo de sua historia em momentos chave da jogatina. Na maioria das vezes esses jogos são como simuladores de encontro onde se deve praticamente conquistar uma pessoa com o tempo de forma que uma amizade se torne algo colorido e possivelmente transpasse a friend-zone.
Então você aí deve estar pensando: -o Augusto vai mesmo fazer um post sobre um jogo de encontro com personagens de anime? Mas que coisa mais escrota!
E em minha defesa eu digo: -sim e não. ^^
Depois de um caso contado no 4Chan (aparentemente) verídico sobre a adoção de uma garota que ficou deficiente e sozinha após um grave acidente, pessoas do mundo inteiro decidiram se reunir para criar uma Visual Novel que contasse uma historia sobre pessoas com deficiências físicas e que consequentemente lançasse dúvidas para diversos jogadores anônimos por trás de seus pcs, como: você veria problema em se aproximar de alguém que tivesse alguma deficiência?
Ou então: você NAMORARIA com uma pessoa que tivesse algum tipo de deficiência?
E antes de continuar eu quero agradecer ao grande blogueiro Amer H. e seu fantástico blog sobre cultura popular nerd por fazer uma postagem exatamente sobre este jogo (que diga-se de passagem estava soterrada no meio das outras que surgiram posteriormente) e que me deixou com uma certa curiosidade para jogá-lo e ver como era. Vou deixar o link para quem quiser ver a postagem dele e conhecer melhor seu primordial trabalho como blogueiro e logo depois vou descrever minha experiencia com um dos games que mais me marcou. clique para ler a postagem do Amer.
Por algum motivo eu me senti curioso por testar esse game, mesmo que ele seja em um estilo que eu geralmente procuro passar longe, principalmente porque no princípio pensei que não era nada mais que um simples simulador de encontros banal.
Ha! Eu estava enganado!
Logo no início somos apresentados a Hisao Nakai, o protagonista do jogo, ele está de pé em meio a neve esperando por uma garota da qual gosta ha muito tempo. O frio vai se intensificando e o tempo passando até que Iwanako aparece, e no meio de uma conversa bem cativante a menina se declara para Hisao, que descobre da pior maneira que possui um grave problema no coração ao sofrer um ataque cardíaco e desmaiar no gelo.
Hisao fica quatro longos meses internado em um hospital tendo apenas os livros servindo como porta para a liberdade, seu estado aos poucos vai deixando de ser tão grave, no entanto as chances de que ele nunca mais possa fazer esforços prolongados e consequentemente não consiga mais ter uma vida como estava acostumado ainda continuam muito altas. Aos poucos, todas as pessoas que eram próximas dele o vão deixando, até mesmo Iwanako troca pouquíssimas palavras com Hisao. É quando seus pais começam a levar em conta a ideia de o colocar em um colégio interno para deficientes físicos. Quando fazem a proposta para Hisao, o garoto tem apenas duas opções que são ir para o colégio Yamaku ou fazer seu último ano letivo em casa, tendo que ficar atento constantemente com sua saúde.
Cansado de estar preso e com saudades de ver outro quarto que não seja o de um hospital, Hisao decide ir para Yamaku e tentar a sorte ainda como um estudante e não como paciente.
Desde o começo, o jogador começa a acompanhar a vida de Hisao dia após dia depois que ele chega a Yamaku. Os gráficos do jogo se resumem a imagens do cenário onde está se passando a historia no preciso momento e os avatares dos personagens que sempre vão ocupar um canto da tela quando estão aparecendo no campo de visão do protagonista, é tudo muito simples e as vezes cansa a vista. No entanto um dos pontos interessantes sobre os gráficos é a direção de arte, pois ela é feita por diversos artistas diferentes com estilos diferentes, isso por um lado é meio chato porque podemos ver grandes diferenças dos avatares que foram feitos por uma pessoa específica e os quadros em tela cheia feitos por outra, no entanto é bem divertido se impressionar com certos desenhos que vamos abrindo ao longo do jogo. Todos eles vão para uma galeria que pode ser visitada a qualquer momento.
Todo o jogo pode render até quatro atos: o primeiro será sempre o mesmo e se escolhas erradas forem tomadas, Hisao pode morrer e o jogo termina logo com menos de uma hora, existem cinco garotas das quais o jogador poderá se aproximar, cada uma tem uma rota e cada rota é dividida pelos outros três atos que faltam. Apenas uma pode ser investida de cada vez, isso quer dizer que (mesmo sem querer) uma vez que o jogador cai na rota de uma personagem ele deve jogá-la até o fim, seja fazendo o final bom, o final neutro ou o final ruim, caso queira entrar em outra rota o jogo deve ser recomeçado. Felizmente uma vez que os textos foram liberados a opção de acelerar o script é ativada, logo é possível passar todas as partes que já foram vistas em segundos e chegar na parte nova ou diferente do roteiro sem nenhum problema. Assim como as imagens em tela cheia do jogo, as musicas e capítulos que forem desbloqueados poderão ser acessados a qualquer momento.
Quanto ao romance... bom... essa é a parte mais interessante do jogo. Cada menina possui uma personalidade única que foi extremamente bem trabalhada, Hisao narra absolutamente tudo o que está acontecendo ao seu redor, então podemos saber exatamente como são seus jeitos de se comportar em determinadas situações. As garotas são:
Emi Ibarazaki, provavelmente a guria mais animada de Katawa Shoujo, ela perdeu suas pernas em um grave acidente e é a única que consegue tirar proveito disso para correr mais rápido que as outras alunas, sendo uma campeã de corrida praticamente invicta;
Hanako Ikezawa, teve metade de seu corpo queimado quando sua casa pegou fogo, com oito anos, Hanako foi mandada pra um orfanato, onde nunca conseguiu fazer amigos de verdade por causa de sua aparência, motivo provavelmente pelo qual também nunca fora adotada. Tem um comportamento extremamente tímido, beirando a sociopatia;
Shizune Hakamichi, representante da classe de Hisao, Shizune nasceu surda e muda, por isso precisa constantemente de sua melhor amiga interprete Misha para se expressar, com um comportamento dominador e um espírito de liderança inabalável, Shizune é a personagem mais extrovertida do jogo;
Rin Tezuka é uma jovem pintora considerada um prodígio por seu professor de arte, teve seus braços amputados devido a uma má formação de nascença, Rin passa por constantes problemas por não conseguir se expressar direito usando palavras, por isso sempre usa metáforas em suas conversas, sua melhor forma de comunicação é através de pinturas, das quais infelizmente são abstratas;
Lilly Satou, meio japonesa e meio escocesa, é a representante de sua classe, sempre com um sorriso gentil no rosto, muitas vezes faz o fato de ser cega passar despercebido, Lilly adora tomar vários tipos de chás, o que aparentemente veio como costume do outro lado de sua família, ela é conhecida como amazona loira, provavelmente pelo fato de ter a estatura de uma mulher ocidental, o que a faz uma giganta entre as japonesas.
A partir do momento em que você cai na rota de uma delas, a trama do jogo aos poucos começa a girar em torno da garota em questão e Hisao, cada dia-a-dia passado é retratado de forma extremamente realista, de forma em que os sentimentos descritos por Hisao começam a afetar o jogador, então é muito comum você se pegar sorrindo, chorando ou simplesmente sentindo raiva por conta de alguma cena. Um fato curioso é que cada personagem tem um problema, que nem sempre é algo que esteja relacionado ao preconceito, um exemplo disso é a rota de Rin, que com toda a certeza é a mais angustiante e (na minha opinião) a mais intensa, afinal de contas Hisao é um só, ele aprende e muda com as personagens mas sempre será ele mesmo, você consegue perceber claramente que não existe conexão de idéias entre ele e Rin, no entanto eles se amam, Rin não tem a menor ideia de como lidar com isso e Hisao não sabe como alcançá-la, isso faz com que eles fiquem distantes mesmo estando lado-a-lado.
E levando isso em conta, eu concluí que cada uma delas precisa de algo diferente. Hanako pode se sentir inútil se a única coisa que o jogador mostrar ser dó e superproteção, Emi não quer algém que a veja vencer, ela quer alguém que vença junto com ela, talvez Rin não precise que a entendam, apenas que a aceitem e assim por diante. Durante o gameplay o jogador deve estar atento ao padrão de vida dos outros personagens.
Depois de um tempo, quando você se da conta de que já se acostumou com todos os personagens, fica claro perceber que suas deficiências sempre vão os deixar marcados, mas que também os marcam como humanos com valores imensuráveis, valores que só quem sabe apreciar momentos e não condições consegue ter.
No final das contas, toda vez que se termina uma rota, algo mais nos é acrescentado. Uma historia nova, uma personalidade nova que conhecemos, e isso nos faz entender porque personalidades nos cativam tanto, mesmo sendo claramente um amontoado de idéias e pixels, ainda vemos a intenção por trás do jogo, vemos o quanto cada personagem recebeu sua dose de humanidade de seus criadores e o quanto eles queriam que tudo fosse tratado como muito mais do que diversão e entretenimento.
Se você ficou com vontade de jogar Katawa Shoujo, eu já vou avisando que é melhor saber o básico de inglês antes, não saber o que está acontecendo vai tirar 100% do valor do jogo. Também não recomendo ao pessoal que não consegue se apegar a personagens fictícios e também aos sem paciência.
No final das contas, acho que Katawa Shoujo é um jogo que agrada um público abrangente, mas que não se alcança com tanta facilidade.
Um abraço a todos vocês, eu realmente queria falar sobre isso, divulgar minha experiencia sobre os bons momentos que passei assistindo a essa historia e o quanto fiz parte dela também. Quem quiser baixar pra matar a curiosidade eu vou deixar o link do site bem aqui.
Se for baixar a versão completa esteja ciente que tem cenas de sexo. Então não se impressione se de repente perceber que está em um jogo adulto. http://www.katawa-shoujo.com/