Páginas

7 de out. de 2012

Neo-Tóquio Está Prestes a E.X.P.L.O.D.I.R

Olá, como vão vocês?
Umas férias do blog, das pessoas e das preocupações e tudo se resolveu pra mim... não... mentira... mas eu agora tenho paciência pra escrever de novo ^ ^.

Nos últimos meses eu descobri duas coisas muito legais, uma delas é o famigerado Gangnam Style, do qual todo mundo já viu o vídeo, já cantou (ou não) e provavelmente já tentou dançar (ou não), enquanto a outra já foi citada na postagem anterior cheia de bla bla blás que eu fiz (mas que não me arrependo) que é AKIRA.

Sim, AKIRA finalmente ganha vez aqui no blog, e se você não tem a menor ideia do que seja essa obra não se preocupe, porque eu pretendo falar tudo o que sei sobre o mangá e o filme em animação, ambos concebidos pelo grande-todo-poderoso-mestre Katsuhiro Otomo (do qual eu comecei a pagar pau assim que li as primeiras páginas do mangá).

Antes de mais nada, eu não terminei de ler o mangá, isso porque ele tem mais de 2000 páginas e eu percebi que essa postagem não sairia nunca se eu fosse esperar minha leitura terminar, porém eu já passei bem da metade da história e conheço o bastante para fazer uma matéria bem elaborada e sem spoilers (em excesso).


AKIRA foi um marco na história dos mangás, da ficção científica, dos desenhos e da animação. Todos os méritos em um período de tempo relativamente curto pois a franquia ia quebrando tabus e records a cada passo que dava e ainda hoje é considerada uma das maiores obras literárias do mundo.

Mas por que tanta coisa assim?
É bem simples, a história trata de um assunto até bem explorado nos dias de hoje que é o próximo passo da evolução humana, no entanto nenhuma outra história mostrou isso de forma tão tensa e bizarra quanto AKIRA.

Trama:
Toda a historia se passa em 2019 em uma cidade chamada Neo-Tóquio, erguida depois que a Tóquio original foi destruída na III Guerra Mundial por conta de uma explosão colossal que a mandou inteira pelos ares, deixando apenas uma cratera de proporções épicas no local.
Kaneda Shotaro é um Cyber Punk líder de uma temida gangue de motoqueiros, que com sua super-ultra- foda moto modificada mete o terror em Neo-Tóquio, principalmente quando estão perseguindo o bando dos Palhaços (tão ou mais temidos quanto eles). Tetsuo Shima é um dos membros do grupo de Kaneda e melhor amigo do líder, durante um rolê até a cratera do que um dia foi Tóquio (todos acreditam que aquele foi o lugar onde a bomba que deu final a guerra atingiu), os garotos  observam o fim do caminho e decidem voltar ás pressas pela estrada principal porque naquele espaço não restou nada de interessante e o clima que circunda o local causa calafrios de morte, no meio do percurso, Tetsuo acaba atropelando uma criança que cruza seu caminho, no entanto o garotinho sai ileso e a moto de Tetsuo explode. Antes de bater ele lembra apenas de perceber que o menino tinha um número 26 tatuado na palma da mão direita.
Momentos depois surgem alguns soldados no local, o garoto misterioso que além de Tetsuo, só Kaneda viu desaparece e logo depois os homens levam Tetsuo com eles.
Durante algum tempo, Kaneda e o resto da turma ficam preocupados com o amigo, ao ver de repente o mesmo garoto que causou o acidente de Tetsuo, Kaneda decide seguí-lo para acertar as contas e se mete em uma grande encrenca envolvendo um grupo de rebeldes liderado por um homem chamado Ryo e sua "irmã" Kei e um pessoal do governo liderado por um estranho coronel, ambos também estão atrás do menino, que de alguma forma tem a pele toda enrugada como a de um velho e em certos momentos demonstra ter algum tipo de poder tele-cinético.
Kaneda finalmente sai com vida das perseguições e dos tiroteios, e, como prêmio consegue roubar uma pílula estranha que ele identifica como algum tipo novo de droga inventada pelo governo para aquele garoto de pele enrugada, ele a leva para uma garota que trabalha de auxiliar de enfermeira em sua escola e a pede para analisar o comprimido. Depois de criar certas teorias sobre os acontecimentos da noite passada, Kaneda é avisado de que Tetsuo finalmente voltou, mais estranho, porém afirmando que está bem. Para festejar o retorno do amigo, Kaneda propõe uma festa mesmo com Tetsuo dizendo que deve voltar ao hospital de onde saiu.
Quando volta a enfermaria para pegar um saquinho de drogas com sua namoradinha enfermeira, a menina pergunta onde Kaneda conseguiu aquela pílula que a entregou pela tarde, pois ela tem uma composição nunca vista antes, capaz de matar qualquer um que a ingira.
Durante a "festinha" de motoqueiros, a gangue dos Palhaços ataca e um grupo acaba pegando Tetsuo, um sujeito o derruba da moto e logo depois foge junto de sua galera quando o resto do pessoal do Kaneda aparece, um dos caras é pego e Tetsuo começa a espancá-lo com a intenção de matar. Kaneda e Tetsuo discutem.
No dia seguinte, na escola o mesmo coronel que causou tantos problemas para Kaneda na noite retrasada aparece a procura de Tetsuo, que é tirado de sua sala para comparecer na diretoria, logo o "hospital" que o rapaz mencionou era na verdade um laboratório de pesquisas do governo.
Ao virar um corredor, Kaneda vê o general e seus homens andando com Tetsuo em direção a saída, ao ver o general, Kaneda sai em disparada começando uma nova perseguição, enquanto Tetsuo é levado de volta para o laboratório para continuar com uma estranha bateria de exames, Kaneda procura chegar próximo a fonte de uma explosão e se encontra de novo com o grupo de oposição ao governo e depois de algumas discussões consegue o direito de fugir com eles (tentando assim conseguir alguma informação).
Durante a noite, Tetsuo começa a sofrer de terríveis dores de cabeça, e aos poucos seu raciocínio vai decaindo até o ponto em que ele simplesmente sai de sua sala e mata um guarda rasgando-o ao meio com tele-cinese, fugindo logo depois. Além de Tetsuo existem mais três pessoas naquele lugar que desenvolveram o mesmo tipo de poder, porém em escalas menores, elas se parecem com crianças, porém enrugadas por causa do efeito das drogas que eram usadas para inibir a evolução constante de suas habilidades e também para curar as intensas dores de cabeça causadas pela potencia de sua tele-cinese, estas crianças são Masaru(número 27), Kiyoko(número 25) e o menino que causou o acidente de Tetsuo, Takashi(número 26), Tetsuo acaba sendo considerado o número 41.
Uma vez livre, com dores de cabeça insuportáveis, com sua sanidade diminuindo cada vez mais e desenvolvendo poderes psíquicos impressionantes, Tetsuo começa a se tornar alguém terrivelmente perigoso, principalmente depois que descobre que não é o primeiro a ameaçar a segurança de uma cidade inteira e consequentemente do mundo, não antes... do lendário Akira.


Durante vários momentos a historia passa pelos nossos olhos como um filme, levando em conta agora a parte técnica do mangá, Katsuhiro Otomo conseguiu se destacar como um profissional único do gênero, seus desenhos simplesmente são lindos, os personagens fogem de qualquer padrão que se conhece sobre mangás, algumas vezes parecem caricatos, mas isso apenas deixa suas expressões mais bem trabalhadas. Todo o jogo de luz e sombra é invejável, o nível de detalhismo das páginas deixa qualquer um de queixo caído (o cara ilustra a mão uma cidade inteira vista de cima, acidentes de carros onde  podemos ver desde o vidro até o motor e o banco do carro se destroçando, a parte de dentro de muitos edifícios entre outras coisas mais variadas), como eu disse antes, a expressão dos personagens é muito boa, o interessante é que eles são muito simples, seus rostos, cabelos e olhos são desenhados de forma bem parecidas (com excessão dos personagens velhos), o que dificulta um pouco para diferenciar no início homens de mulheres.

A forma como a trama é contada nos envolve de maneira bem mágica, algumas vezes ela se mostra meio cansativa por ter muitas perseguições, tiroteios e explosões, mas tudo acaba sendo compensado com uma ou duas cenas de batalhas e diálogos reveladores que mudam toda a visão da história.

Todos os personagens (que conseguem ficar vivos pelo menos) acabam crescendo com o passar do tempo, não só fisicamente, mas sua forma de comportamento, vemos personagens covardes se tornando corajosos, heróis se tornando vilões, "uma garota que queria apenas sobreviver se tornando uma heroína durona", o punk que pensava apenas em si mesmo demonstrando que pode ser leal com os amigos em momentos críticos e assim por diante. Cada personagem desenvolve características sutis ao longo do roteiro que uma hora ou outra paramos para pensar e vemos o quanto eles estão diferentes (geralmente com a mesma meta, porém diferentes).

Toda a ambientização do mangá é convincente. Tudo bem, 2019 não vai ser assim de jeito nenhum, porém o que eu quero dizer é que a tecnologia parece de fato funcionar, não é como se tudo estivesse lá para enfeite (mesmo que esteja). Mas temos que levar em conta que AKIRA foi escrito em 1982 e só foi terminar em 1990, nessa época tinha gente que pensava que nos anos 2000 os carros já flutuariam, Otomo ousou ao criar um futuro onde a maioria das coisas não pareceu ter exatamente evoluído mas sim ganhado um novo visual, uma performance melhor, a moto de Kaneda é um bom exemplo, ela é bem futurista, mas as motos do resto do pessoal da sua gangue parecem bem normais, no filme é dada a desculpa de que ele "customizou" ela para ser usada direito apenas por ele, enquanto que no mangá nunca foi explicado porque a moto de Kaneda era tão diferente, mesmo que em ambos o personagem tenha um grande xodó por ela.

AKIRA faz algumas alusões as coisas que de fato vivemos na nossa realidade, o curioso é que a obra não tem um conteúdo filosófico sofisticado e muito menos super profundo, algumas coisas são postas em jogo como o fato de que o homem se importa mais com seu status e glória do que de fato usufruir de novos conhecimentos e que por conta disso deixa de dar importância a coisas pequenas mas que já poderiam ser consideradas fascinantes. Depois de um tempo de leitura (ok... depois de muito tempo) começamos a nos perguntar se os personagens estão realmente exercendo seu devido papel na trama, pois de fato ninguém é bonzinho na historia, mas mesmo assim ambos os personagens tem suas próprias justificativas para se intrometer em um assunto tão delicado quanto aquele, seja algo particular ou um dever abrangente como salvar o Japão e o mundo.

A realidade vivida pelos personagens é bem crua, Neo-Tóquio é um lugar perigoso, sujo e muito estranho, as drogas imperam, sempre aparecendo como as famosas cápsulas de cor vermelho e branco (ou seria amarelo? Não me lembro), os personagens que compõem a gangue de Kaneda não as usam como uma válvula de escape porque suas vidas em si já são uma válvula de escape, as drogas apenas intensificam isso


E depois exercem um papel ainda maior quando passam ser a válvula de escape para as dores de Tetsuo.


Falando agora sobre o filme.
O filme foi feito em 88, dirigido pelo próprio autor do mangá, conseguiu se tornar um épico mundial, foi transmitido aqui no Brasil pela Locomotion e posteriormente pela Band, ambos com dublagens diferentes, atualmente eu não sei se a TV a cabo o exibe.
A questão é que mesmo eu assistindo ao filme e achando ele muito bom, tive que considerar que foi muito mais do que uma versão "reduzida" do mangá, o filme AKIRA é praticamente uma recontagem da mesma historia, muito, mas MUITO mais simples, com um apelo sentimental e psicológico mais bem explorado e uma mudança radical no comportamento e personalidade de cada personagem. Kaneda ja começa como um rapaz mais heroico e menos retardado, Kei é praticamente a donzela em perigo, Akira não existe mais (COMO ASIIIIIIIIIIIM!!!?), Lady Miyako é apenas um fanático religioso que se parece com ela, Tetsuo sempre quis a moto do Kaneda ...,...,... etc.
E mesmo assim a animação é uma das melhores que eu já vi, como um filme de 1988 podia ter uma animação tão fluida? Contar uma história tão séria e sangrenta?
Não é atoa que consideraram tanto o trabalho AKIRA como um todo uma das maiores obras cinematográficas e quadrinizadas de todos os tempos.

Ok pessoas, acho que a postagem está chegando ao fim, mas antes eu ainda tenho uma surpresa aqui.
O filme AKIRA está disponível no You Tube.
O que eu encontrei foi postado por XNerdBr, então todos os créditos pelo upload do filme vão para esta pessoa. Se não me engano a dublagem usada é a da Band, ela não é das melhores mas tem seus momentos.
Eu vou postar o filme aqui, ele está completo e tem 2hrs e 17 min, é um filme relativamente longo, mas eu garanto que vale a pena, para quem assistir e gostar eu aconselho a ler o mangá quando tiver a chance, ele vai muito mais além da animação. Não recomendo se você tiver menos de 16 anos e nem se for do tipo que se impressiona fácil.




Assista em tela cheia ou vá direto para o You Tube clicando no ícone que fica na parte inferior do player  












    

11 de set. de 2012

O Mundo do Autor Pt. 5

Depois da minha postagem direta e simples sobre Watchmen eu volto a escrever sobre algo mais pessoal e sentimental... again.

Este mundo do autor não traz nenhuma novidade, no entanto existem algumas coisas das quais gostaria de falar a respeito.

Começando então com o meu retorno às páginas de Grim Reaper, depois de um certo tempo, finalmente eu voltei a desenhar o manga, ele está melhor que da última vez, mais detalhado e com alguns ângulos mais bem explorados, sem contar com a radical mudança que foi criada na história, uma delas é que ela será auto-sustentada com o primeiro volume, o que significa que mesmo que não haja continuação tudo será bem explicado e encaixado de alguma forma, assim restam apenas alguns mistérios que podem atiçar a curiosidade dos leitores, mas que não vai comprometer a leitura e deixá-la sem pé nem cabeça no final.

Eu andei explorando um pouco mais sobre a vida dos mangakás e descobri tanto coisas boas quanto coisas ruins (assim como em qualquer profissão), no entanto, os dois lados são muito intensos quando se trata de mangá, é uma vida para se mergulhar de cabeça e dedicar cada segundo de trabalho com total fidelidade, algo que embora pareça bonito e inspirador, exige força de vontade e uma mente bem preparada.
Editores que simplesmente barram nossas historias, leitores que podem preferir o óbvio ao inovador, condições de trabalho ruins, falta de reconhecimento, desperdício de talento entre outras coisas, eu afirmo com toda a certeza que se esse não fosse meu sonho e minha batalha constante para o reconhecimento eu já teria desistido. No entanto é exatamente o oposto que acontece comigo agora, eu olho para trás e vejo que muitas vezes podia ter feito a escolha de investir na possibilidade de entrar em alguma empresa e me tornar... um... membro produtivo e consciente da sociedade... é isso?... acho que é isso mesmo. Mas realmente, acho que me enfiar em uma toca de rato e desenhar até sofrer mal de parkinson me daria mais orgulho do que ser apenas mais um concorrendo por um salario maior (mesmo que eu seja só mais um desenhista tentando publicar mais uma historia que dê certo... que ironia).
Eu sei que isso soa deprimente ou até mesmo má influente, mas eu deixo bem claro aqui que minha intenção nunca foi, não é e nunca será fazer a cabeça de ninguém, eu na verdade gosto de ver pessoas que desde cedo se focam em virar assalariados para criar uma bela família no futuro, e se você pensa que isto é o melhor e o mais certo que pode fazer, eu acredito que está fazendo o certo, afinal de contas cada um de nós busca o que nos satisfaz e uma vida martirizada pelo peso do arrependimento acaba se tornando um inferno.
Por tanto tempo, as pessoas acabam se preocupando mais em chegar vivas até o fim do que realmente se preocupando com o jeito em que querem chegar até o fim, acho que isto as tornam cansativas, repetitivas, superficiais, estão apenas sobrevivendo, fazendo o básico por si só, mas a partir do momento em que buscam por um ideal, aprendem o que gostam e suportam o que não gostam visando um futuro melhor elas passam a fazer valer cada esforço, que outra graça ou motivo teria a nossa existência? Não somos simples animais para nos contentarmos em apenas comer e dormir, muito menos fazer algo para sermos "aceitos" em público.

Oh! Dammit! Como este post está saindo emotivo! Não queria que acontecesse isso, mas acabei por escrever algumas coisas que considero importantes, acho que nunca fiz isso antes, pelo menos não de forma tão descarada, mas f**a-se, é o que eu quero fazer e por isso está sendo feito, o Guardião é o meu grande xodó, eu fico as vezes um bom tempo sem postar nada nele por falta de matéria ou inspiração mesmo, mas sempre vou estar por aqui, mostrando os meu progressos ou fracassos no mundo dos quadrinhos que quero tanto entrar junto com matérias que considero legais e assuntos dos quais sempre quero estar falando.

Enfim, para que serviu este mundo do autor?
Eu não sei ^ ^
Mas gostei de escrever, eu sou quase um sociofóbico, porém adoro a forma como a comunicação se propaga, como as pessoas gostam de compartilhar o que sabem, e é claro que eu também gosto de participar disso.

Mais um tempo sem falar sobre meus trabalhos está por vir, não sei se é ruim, mas pelo menos agora vocês podem esperar por temas mais comuns.

E por falar em temas comuns, provavelmente a próxima postagem (minha) será sobre AKIRA (o mangá... e quem sabe sobre a animação também...), então esperem provavelmente um post longo, eu só não sei exatamente quando vai sair.

Então meus caros, é isso, estou empolgado com as novas páginas que estou fazendo, principalmente pelo motivo de que comecei a ficar de olho nos trabalhos que tem saído na Jump para não ficar pra trás de novo.

29 de ago. de 2012

Deixem aquele Livre de Pecado Atirar a Primeira Pedra...

Olá, acho que hoje vou causar um pouco de polêmica xD. Vou falar sobre um curta chamado The Backwater Gospel que fala sobre nada mais nada menos do que manipulação através da religião. O problema é que é em inglês e não consegui achar legendado, então assistam pelo menos pela animação que é maravilhosa. É bem possível entender sem saber inglês, mas mesmo assim acho que vou dar uma resumida...


SPOILER ALERT!
Bem, nossa história fala sobre o Undertaker, que significa literalmente agente funerário. Ele é tipo o anjo da morte. Bem, se você avistar o Undertaker andando em sua bicicleta, bem... Você provavelmente está ferrado porque sua aparição significa a morte de alguém. Isso mesmo, o Undertaker apenas aparece para fazer o seu serviço de agente funerário. E é exatamente isso o que ele faz quando se aproxima de uma vila em que um padre prega a filosofia de que temer o senhor é a resposta e sai bem sucedido nesse papel. Apenas uma pessoa não cai na dele. Esse é um dos personagens principais, um simpático caipira tocador de violão. O caipira (seu nome não é mencionado no curta) era a única pessoa que não entrava na igreja na hora do culto, e o padre, logo após todos serem anunciados da chegada do Undertaker, o acusa de ser a "maçã podre" que arruína todo o pomar e a razão da visita do anjo. Assim, o padre encoraja a todos os moradores livres de pecados, atirarem a primeira pedra. Já dá pra imaginar o que acontece com o pobre capira após isso. Surpresos ao verem o Undertaker sentado no poço sem ser mexer para concluir seu serviço, todos se desesperam, e com medo de serem o motivo da visita do anjo da morte, começam a matar uns aos outros, causando uma grande chacina. No dia seguinte vemos que todo mundo era o motivo da visita. 
Acho que já da pra sacar a intenção da história, o que ela quer criticar. 
Bom, a animação é demais, muito bem feita e muito bem dublada e tudo mais, mas vou logo avisando: É BEEM violenta, então vejam por sua própria conta e risco.

18 de ago. de 2012

Watchmen

Hora de falar da maior história em quadrinhos do mundo, a criação genial do grande Alan Moore e desenhada pelo excepcional Dave Gibbons. Watchmen foi um estrondoso sucesso mundial, principalmente porque provou que adultos também poderiam curtir HQs sem que estas fossem necessariamente sobre putaria.

                                                        WATCHMEN

Em 1986, Moore e Gibbons receberam carta branca da DC Comics para criarem sua própria HQ e decidirem o rumo de seus heróis como bem entendessem, eles trabalharam com toda a boa vontade possível para criar alguma coisa única usando conhecidos personagens da editora Charlton Comics, e que praticamente iria dar um tapa na cara dos leitores, um tapa dolorido, mas que os faria querer continuar sentindo a dor por doze capítulos mensais.
Quando a história ficou pronta, a DC terminou por proibir que os dois artistas usassem super heróis da Charlton Comics exatamente porque isto iria chocar muitos leitores e provavelmente ninguém mais iria ver aqueles heróis com os mesmos olhos, sem falar que muitos morreriam de forma quase que "em vão". Neste caso então foram criados seis heróis protagonistas para a trama, estes eram Dr.Manhattan, Comediante, Coruja II, Rorschach, Ozymandias e Espectral II. Existem outros heróis e vilões na historia, porém são secundários, já que a trama vai muito mais além do manjado vilão que pretende matar o mocinho para dar início ao seu reinado diabólico.

História:
Com o surgimento de um poderoso ser conhecido como Dr.Manhattan (este nada mais do que um ex-cientista nuclear chamado Jonhatan Osterman que "morreu" desintegrado por sua própria invenção) dotado de poderes ilimitados, os EUA conseguiram vencer a Guerra do Vietnã, tendo este novo Super Herói a frente do exército, Dr. Manhattan foi nomeado o homem-deus e protetor da América por usar suas habilidades especiais para ajudar os Estados Unidos. Depois de sua subida e ascensão ao status de mais mortal arma biológica existente e escudo americano, a queda dos heróis mascarados conhecidos como Vigilantes foi iminente, sendo que apenas Comediante e o próprio Manhattan continuaram como protetores oficiais, toda a segunda geração de Vigilantes teve de escolher entre se aposentar ou se tornarem membros do governo, a maioria largou a vida de justiceiro e com o tempo até mesmo os vilões mascarados se tornaram uma lenda. Dentre todos os Vigilantes que estavam ativos até a lei Keene, o único que optou por continuar vivendo como um herói-não-licenciado foi Rorschach, escrevendo suas próprias leis, punindo quem achava culpado e fugindo da polícia com frequência, desta forma Rorschach se tornou uma das pessoas mais procuradas de Nova York, e é através dele que vamos descobrindo uma trama envolvendo o recente assassinato de Comediante e uma suposta ideia de que alguém está perseguindo e eliminando todos os Vigilantes.
Motivos? Desconhecidos... mas quando forem revelados vão deixar qualquer um arrepiado.


Watchmen foi uma das primeiras obras a receber o nome de Graphic-Novel, que é um termo usado para descrever histórias em quadrinhos que contam romances inteiros, como em um livro, dando ênfase mais ao desenrolar da trama e aos seus detalhes do que o lado pessoal e estético de cada personagem.    

Com páginas cheias de informações, sem onomatopeias e quadrinhos abordados com os ângulos mais cinematográficos possíveis para a época, é muito fácil conseguir distinguir Watchmen de qualquer outra HQ, tanto da década de 80 quanto das atuais, mesmo que Graphic-Novels tenham se tornado populares desde então.
O estilo de desenhos usados são bem simples e as cores não variam muito (claro que a questão das cores foi proposital) o que de certa forma acabou se tornando uma marca registrada da HQ. Tudo é mórbido, sufocante e passa uma sensação de impureza. A realidade retratada na historia é triste e exageradamente degradada, principalmente quando a principal fonte de informação sobre ela é o diário de Rorschach, os trechos que abordam explicações sobre a condição do povo, a auto-ilusão que o governo e a mídia espalham e como a sociedade se tornou hipócrita com o passar dos anos são descritos com um tom poético, sarcástico e sádico, sem dúvidas um charme inigualável para a trama.

Os personagens, heróis, ex-heróis ou simplesmente pessoas normais são muito carismáticos, eles não transbordam emoções e nem mesmo são dinâmicos, mas conseguem ser ligítimamente humanos, com expressões ou observações comuns que fazem de forma displicente.

O roteiro, embora seja cheio de detalhes e nomes importantes, não se torna difícil de entender, muito menos de aceitar a realidade imposta. Claro que existem seus exageros, afinal de contas a coisa acima de tudo tem que ser legal e proporcionar diversão.

A recepção de Watcmen pelo público foi realmente muito boa, talvez porque provava que quadrinhos podiam atrair qualquer tipo de público, sem falar que tinham como contar uma história tão bem quanto qualquer livro e se tornarem ícones mundiais tão bem aceitos quanto estes tais.
Tudo bem que os personagens não são tão famosos e conhecidos quanto a maioria dos heróis da DC Comics, mas isso se dá ao fato de que o público alvo sempre foi infanto-juvenil, e mesmo muitos adultos acabam não se importando tanto com historias mais pé-no-chão quanto Watchmen ou as edições mais sérias e sombrias do Batman das quais ele não se parece exatamente com um super-herói, mesmo que use um traje extravagante mas sim com um ousado justiceiro/detetive/ninja/etc, etc, etc. Embora a realidade da HQ seja bem mais decadente e sombria que a nossa, ela ainda guarda boas semelhanças que podem ser notadas com muita facilidade, o que significa que ninguém precisa ser gênio para sacar o que está acontecendo e conseguir ligar os fatos.


Então leitores, sinto não fazer algo maior e mais detalhado sobre Watchmen, sei que merecia, mas eu realmente não tenho como incrementar mais no texto, a não ser se revelasse mais detalhes sobre a historia, claro que não vou fazer isso.
Pra finalizar, apenas quero sugerir o filme com o mesmo nome dirigido por Zack Snyder, o mesmo de 300 e do já postado aqui Sucker Punch, o filme é muito fiel a ambientização da revista, as sequencias e falas seguem um padrão muito parecido, para quem quer se introduzir a este universo, tanto pelos quadrinhos quanto pelo filme é uma grande forma de mergulhar de cabeça no mundo de Watcmen de forma bem original.




3 de ago. de 2012

Bynary Overdrive

Olá mais uma vez, a postagem de hoje é sobre um vídeo que me chamou a atenção em dois pontos, mas antes eu já vou esclarecendo que é um AMV (Anime Music Vídeo), ou seja, é um vídeo editado com música de fundo e cenas de um (ou vários Animes), no entanto, este AMV recebeu uma atenção especial, seu criador tem o nick "Nostromo" e faz vários vídeos usando músicas eletrônicas de todos os tipos.

Eis porque este me chamou a atenção.
*O Anime escolhido é um curta metragem chamado Dimension Bomb, feito pelo estúdio 4° C, a animação é impecável e me faz sonhar em um dia ver animes comuns com uma qualidade destas, este curta é um dos muitos que compõem um DVD especial lançado por esse estúdio chamado Genius Party Beyond, que contém obras de diferentes animadores do estúdio.
*Embora não seja muito fã de música eletrônica, a canção usada no vídeo simplesmente me encantou, a sincronia é surpreendente. A música se chama Get a Hold of Yourself, e foi criada por Sugar Jesus (não sei quem é direito, a informação sobre ele é meio escassa).

Enfim eu só tenho a postar o vídeo abaixo, e desejar uma boa viagem com esta animação um tanto quanto abstrata. Uma boa sexta e fim-de-semana a todos


 Agora tem como colocar em tela cheia (não sei se são todos assim)

2 de ago. de 2012

Quando a Primeira Trombeta Tocar...

Postagem um tanto quanto inesperada hoje, pois quero falar de um livro.
Para quem ainda não conhece, para quem já ouviu falar, para quem não gostou e principalmente para quem já leu e adorou...

                                                A BATALHA DO APOCALIPSE

ATENÇÃO!! ANTES DE COMEÇAR A LER, TENHA EM MENTE QUE AS PALAVRAS QUE SEGUEM ABAIXO SÃO APENAS PARTE DA MINHA OPINIÃO SOBRE O LIVRO. EU NÃO SOU CRÍTICO E MUITO MENOS ESCRITOR PROFISSIONAL,  PORTANTO NÃO ENTENDA COMO UMA CRÍTICA ABSOLUTA.

Confesso que quando tive este livro em mãos há uns meses atrás, hesitei muito antes de começar a lê-lo. De fato, pensava mesmo que ia encontrar uma monstruosa referência cristã/católica, misturada a fatos ofuscados e passagens bíblicas que no final levaria a um desfecho medíocre que mostraria nada mais do que a interpretação do autor sobre a última parte do Novo Testamento.
No entanto, quando comecei a ler a história e me deparei com a primeira descrição sobre o poderoso Arcanjo Miguel e como o nível hierárquico é definido no mundo celestial acabei percebendo que a trama nada mais era do a genuína reprodução de um mundo épico criado pela mente de Eduardo Spohr (autor) misturado com fragmentos de culturas e crenças que prosperaram ou simplesmente foram ignoradas com o passar dos anos.

Minha maior surpresa foi descobrir que o sujeito inseriu uma dose cavalar de cultura popular ao seu trabalho, dando nomes as técnicas dos anjos e descrevendo seus poderes como quem descreve movimentos especiais durante uma partida de RPG, claro que em certos momentos eu até considerei isto um tanto constrangedor, porém divertido em outros. Vamos a sinopse do livro e depois tudo o que tenho a dizer sobre ele.

Ablon é um dos mais poderosos generais celestes, um Querubim honrado e valente que é capaz de embater até mesmo contra as forças do destino para alcançar a justiça.
De acordo com a historia do livro, Deus criou a Terra após ter vencido um adversário negro nas místicas Batalhas Primevas, para poder encarar a tal criatura (Tehom) ele criou os Arcanjos, que conseguiram massacrar seus oponentes negros, servos da tal entidade. Depois de derrotar a ameaça, a construção da terra foi demarcada com a contagem de "sete dias", dos quais representavam períodos distintos, depois de criar toda a sua obra prima, Deus entrou em um grande estado de sono, do qual seria acordado apenas no final do último dia, que diferente dos outros seria marcado com a evolução humana e junto com seu despertar viria o apocalipse.
No entanto, enquanto Deus dormia, o arcanjo Miguel, repudiando os humanos que seu criador tanto prezou ao ponto de presentear com o livre arbítrio tentou matá-los de várias maneiras, como a destruição de Sodoma e Gomorra e o dilúvio (na versão original fora Deus mesmo que matara a todos), no entanto nunca conseguia causar medo suficiente ou eliminar todos de vez.
Cansado de tudo aquilo, Ablon convocou uma reunião com todos os generais e todos aqueles que aceitaram a ideia de que Miguel estava indo longe demais, e para a surpresa do Querubim, o arcanjo Lúcifer também decidiu se juntar ao grupo. No entanto, no momento em que a reunião deu início, Lúcifer traiu os demais e incitou uma rebelião, o que resultou em sua expulsão junto com todos os seus seguidores, e ao banimento dos generais Querubins, tarjados agora como renegados.
Vivendo na Terra agora, Ablon não tem muitas escolhas a não ser esperar que o sétimo dia acabe e que a batalha do apocalipse comece, para que os dois mundos se tornem um só e podendo assim alcançar o paraíso novamente para ter o direito de morrer lutando por sua causa, no entanto, ele descobre muito mais coisas junto com os humanos do que poderia um dia imaginar quando estava em sua glória eterna.


OK esse não é exatamente o prelúdio da trama, mas serve bem como introdução, a primeira coisa que vou falar sobre o livro é a narrativa.
Eduardo Spohr sem sombra de dúvidas tem muito talento como escritor, ele consegue descrever cenários com uma complexidade incrível, a narrativa é em terceira pessoa, mesmo que em uma parte em específico  ela fique em primeira. Da forma mais Tolkeniana possível, Spohr gosta de enriquecer sua historia com a mais detalhada ênfase, nos fazendo sentir mergulhados na atmosfera do ambiente, a única coisa que realmente enche o saco nesse ponto é que em vários momentos a historia começa a se arrastar exatamente por causa disso, é comum em alguns momentos em que você está curioso pra saber o que vai acontecer logo no final de uma parte mas nesse momento o personagem chega em uma nova cidade, e ai vai uma página inteira descrevendo os pormenores de como é esta cidade e como ela funciona. Mas deixando este detalhe de lado, eu afirmo que as vezes tem até mesmo como sentir os cheiros descritos no livro, só é uma pena que raramente o autor menciona maravilhosas refeições, assim como é costume nos livros de literatura fantástica.

Os personagens que ao mesmo tempo são formidáveis também deixam um pouco a desejar, quem gosta de Cavaleiros do Zodíaco vai notar uma certa referência a série, os Arcanjos usam armaduras de ouro completas, conseguem sentir e controlar átomos assim como o cosmo, a energia que todos os anjos usam para manifestar seu poder é chamada de Aura Pulsante, da qual queima quando eles precisam lutar. Eu pessoalmente gosto disso porque não acho que estes detalhes estraguem os personagens, pelo contrário, acredito que esse padrão se encaixou perfeitamente aos anjos da história, cada anjo apresenta tanto aparências distintas como também personalidades, no entanto, assim como os humanos que nos são mostrados eles perdem muito em carisma, o protagonista Ablon é um bom personagem, mas não consegue nos motivar nem quando está ganhando e muito menos quando está prestes a perder algo importante, ele simplesmente faz as coisas com a velha desculpa de que segue seus instintos e nunca parece estar lutando por sua própria vontade. Apesar de tudo isto, tanto ele quanto sua companheira humana, a necromante Shamira não chegam a ser irritantes e passam longe do desprezo dos leitores.

A história é simplesmente épica, sem mais palavras.

O grande e sem sombra de dúvidas mais problemático ponto em todo o livro, são os momentos de flash back que o autor nos empurra, eu pessoalmente gostei de todos, porém não posso negar que eles são exageradamente extensos e muitas vezes adicionam fatos desnecessários a trama principal. Imagine dessa forma: você está lendo o livro em um certo ritmo, gostando muito da história e ficando cada vez mais empolgado, o capítulo está acabando e um grande clímax começa a se formar... de repente, em um virar de páginas a história te lança para 1500 anos no passado em uma situação que não tem absolutamente nada a ver com a atual.
Isso significa que toda aquela expectativa acumulada foi por água a baixo, pois agora é necessário um fôlego completamente novo para começar uma história dentro da outra, da qual sabe-se lá quantas páginas pode durar. Claro que nem tudo nisso é ruim, pois nessas tramas paralelas alguns personagens muito bem trabalhados nos são apresentados, e os flash backs tem histórias tão legais quanto a principal.

Finalizando agora a postagem e deixando minha impressões finais sobre o livro.
Eu realmente gostei DEMAIS de A Batalha do Apocalipse, mesmo que os personagens não estejam guardados pra todo o sempre nas minhas melhores lembranças (diferentes de tantos outros), toda a trama e reviravolta apresentada no livro com certeza me marcou de forma especial, cada grande feito, cada batalha, cada informação passada a respeito do universo fantástico que Spohr criou. Eu recomendo muito esse livro para os adoradores de uma boa literatura épica, fãs de RPG (principalmente D&D, porque eu pude perceber que o autor usou o sistema de evolução de personagem do jogo em seus anjos) e também aqueles que sempre sonharam em ler um trabalho brasileiro que se compare as espetaculares aventuras que os gringos inventam. O autor conseguiu criar em cima de histórias antigas, lendas e religião, um clima único e um mundo próprio e original, sem agredir conceitos ou idéias, apenas mostrando uma outra face um pouco mais... nerd.